Enquanto alguns se mostram horrorizados com o post do Presidente Bolsonaro que expôs os bastidores do carnaval, algumas pessoas mais conscientes reclamam da crueldade com os animais em fantasias de “destaques” das escolas de samba. Embora algumas destas mulheres se justifiquem por usar reciclados ou “sintéticos”, a discussão só se inicia. Neste artigo eu mostro a realidade. Leia e tire suas conclusões:

Sem dúvida, este foi o carnaval mais polêmico e cruel de toda a nossa história e são tantos os pontos a comentar que nem estenderei aos detalhes. Procurarei citar apenas o tema principal, “mentiras e crueldade” na avenida.

A crueldade pode ser resumida em três “musas”. Afirmou-se que Juliana Paes, desfilou pela escola de samba Grande Rio usando uma fantasia que deveria homenagear a quase extinta Ave do Paraíso e trazia em seu adorno de cabeça, partes do corpo da rara ave que foram importadas da Indonésia. A novidade ficou por conta da escola Unidos de Padre Miguel, cuja “musa” Renatta Teruel, desfilou com look crina de cavalo na Sapucaí. O máximo da crueldade ficou por conta da escola Império da Casa Verde, a “musa” Magda Moraes trajou a fantasia de Malévola, feita com nada menos do que quatro mil penas de faisão.

As “musas’ cobertas de penas e até crina de cavalo. Pobres animais!

As justificativas:

Tanto Juliana quanto sua irmã Rosana Paes afirmaram via Twitter que “A cabeça de sua fantasia foi uma réplica com materiais reformados que entrariam em descarte não fosse a recuperação, portanto, não trouxe sofrimento a nenhum animal e trouxe somente a beleza e alegria que é a proposta do carnaval”

A questão aqui é que, se o material é originariamente extraído do animal, não importa se foi reciclado, causou sofrimento inicial. E mais, ao se fantasiar com qualquer tipo de pena ou pele de animais, ainda que fosse sintético (e já explicarei que não há material sintético de fato) acaba-se incentivando este uso cruel dos animais sem necessidade alguma. Além disso, há quem afirme que Juliana Paes foi entrevistada por Fátima Bernardes durante o desfile e ela confirmou ser penas de uma ave raríssima símbolo da extinção… 

A explicação de Magda Moraes, a Malévola que exibiu 4000 penas de faisão foi:

Eu já tinha muitas penas e reaproveitei, mas custou um carro popular. Não chegou a ser um apartamento, isso tenho de dar para minha mãe antes“.

O comentário aqui é o mesmo anterior, porém, neste caso, é estranho alguém guardar toda esta quantidade de penas até porque a explicação está confusa. Dá impressão de ela ter usado algumas penas que tinha guardado e ter necessidade de comprar mais penas que tiveram o mesmo custo de um carro popular (?). Não encontrei nenhuma justificativa dada pela escola Unidos de Padre Miguel ou por Renatta Teruel, em relação ao uso de crina de cavalo em sua fantasia. Os únicos comentários de Renatta foram: Quis algo diferente e acho que apostei certo, porque as penas vão murchar com a chuva”.Não gosto de falar de valores, acho chato, mas é tão caro quanto (penas do faisão). E pesa muito também. Quando molhar então acho que vai duplicar”.

A solução é simples, basta usar material sintético… Será?

A princípio seria a grande solução, só que não, porque, simplesmente, não há sintéticos, ao menos não há penas sintéticas já que a textura do rabo de cavalo pode ser bem mais fácil de reproduzir.

Cocar feito com EVA. Solução para evitar uso de penas

Por ocasião da primeira montagem da minha peça teatral “Solua, o vampirinho vegano”, em 2015, tanto eu quanto o elenco passamos semanas procurando penas sintéticas. Andei a região da rua vinte e cinco de março, incluindo a famosa ladeira Porto Geral em São Paulo – SP, visitei fábricas, contatei fornecedores no Rio de Janeiro e a resposta foi unânime. A maioria das penas só existem naturais, não se fabricam sintéticas. Uma das representantes que me atendeu chegou a comentar que eu era a primeira pessoa buscando penas sintéticas. Em vinte anos neste ramo, nunca ninguém questionou, na verdade, a maioria buscava penas verdadeiras ou então nem se preocupava com isso. Já que nunca houve procura, nunca se dispuseram a vender nada sintético neste sentido. Ela desconhecia até que houvesse algum fabricante deste material sintético. Não convencida, acessei pela internet em todos os sites disponíveis na época e fiz uma triste constatação que ocorre até hoje. Alguns anúncios dizem ser sintéticas e em letras miúdas aparece: “Penas naturais, lavadas e higienizadas”.

Naquela ocasião, a solução foi comprar um cocar simples (para o pajé) com poucas penas de galinha que a vendedora jurou que não eram arrancadas, eram recolhidas estando caídas nos galinheiros. E incrementamos este cocar com tiras artificiais para o pajé ficar mais com cara de pajé. Os outros índios usaram cocares que eu mesma fiz com E.V.A. Embora também não seja muito ecológico e os cocares tenham ficado com um aspecto hilário, ao menos, não sacrificamos nem colaboramos para o sacrifício de nenhum animal.

Desta data até hoje, quase nada foi feito para mudar esta realidade em se tratando de carnavais. Em 2017, a Águia de Ouro fez um desfile homenageado cães famosos e abordando proteção animal, sem usar nenhuma pena. Mas parou por ai. Em geral, estas “boas ações” são raras, duram pouco tempo,às vezes, só o tempo de fazer várias selfies e aparecer bem na mídia, depois caem no esquecimento. Até hoje a crueldade está exposta em fantasias caríssimas em avenidas sangrentas em todos os sentidos.

Solua, vampirinho vegano ensina de forma lúdica como cuidar da saúde e evitar sofrimento animal

Qual o sentido do carnaval?

Em meu artigo publicado pelo Jornal’Ecos da Literatura Lusófona em 10 de Março de 2006 – Edição N°36, eu escrevi:

Há várias versões para a origem do Carnaval, as definições vão desde cultos feitos por povos antigos para louvar uma boa colheita agrária até biblicamente na vontade do povo em crucificar Jesus Cristo. Iniciando-se no momento em que Pilatos lavou as mãos, diante do povo que incitava a troca da morte de Barrabás pela de Jesus e culminando na grande folia que instalou-se pelas ruas de Roma. Estima-se que, a partir do século 4 o catolicismo tenha criado um cronograma oficial para as festas litúrgicas, na ordem: Quaresma, Páscoa e Natal. Quaresma seriam os quarenta dias de reflexão reservados pelo catolicismo como preparativos da celebração da morte de Cristo, na Semana Santa. Fundamentando-se em princípios éticos e morais, proibindo muitos atos na Quaresma, como a abstinência à ingestão de carne e também à realização de bacanais, de certa forma, incentivou os seguidores a aproveitar o último dia antes do início da Quaresma para fazer tudo a que não poderiam fazer pelos quarenta dias da quaresma. Criou-se ai uma festa pagã intitulada carnaval. Com o passar dos anos a duração dessa festa foi estendendo-se. Inicialmente realizada nos três dias (domingo, segunda e terça-feira) anteriores à Quaresma. Com o tempo, o início da festa englobou mais um dia, o sábado; depois incluiu a sexta. Nos últimos anos, há bailes em toda a semana pré-carnavalesca, o que acabou estendendo a festa para aproximadamente dez dias…”

Ao final, coloco link para ler o artigo na íntegra, Importante é frisar que o carnaval foi criado como uma festa pagã e segue cada vez mais desvirtuando valores, incentivando a crueldade não só com os animais mas com todos os seres vivos e, como mensagem, nunca tem algo, de fato, útil. Nos idos anos 60, 70 e início dos anos 80, os carnavais aconteciam em clubes familiares, onde crianças e adolescentes podiam se divertir de forma mais sadia. Ao final da década de 80 estes bailes de clubes perderam a força, dando lugar aos desfiles de rua que já ocorriam há tempos, mas só a partir de 80 ganharam mais destaque e que passaram a ser a grande atração do carnaval. Muito dinheiro gasto, muito suposto “glamour”, mas na prática, desfilam apenas crueldade, mentiras e alienação.

Mas que mentiras?

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Ora, esta é fácil de se perceber. Durante muitos anos se divulgou apenas imagens favoráveis do carnaval brasileiro. Belas mulheres desfilando em fantasias riquíssimas, pessoas felizes num cenário magnífico. E o mundo todo se dobrava aos encantos do Brasil. Porém, ao desembarcarem em nosso país, como turistas, muitos se decepcionavam com o aspecto descuidado de alguns locais, ausência de segurança e outros fatores. Isso quando não eram assaltados e até assassinados em nosso país. Neste carnaval, o destaque foi para os turistas franceses, Sebastian Cayol e Lucas Dru, ambos de 38 anos. Eles foram esfaqueados após uma tentativa de assalto na noite da segunda-feira (4/3), na Região Leste de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, eles participavam de eventos de carnaval na região. Em janeiro, houve o caso de um turista ucraniano que, além de ser assaltado e esfaqueado, alegou ter sido ameaçado de morte em Inglês pelos assaltantes. A que ponto chegamos, assaltantes bilíngues. Esta é a realidade do nosso país, inseguro para seus próprios habitantes e mais inseguro ainda para quem vem visitar como turista. Além disso, cenas grotescas e até pornográficas ocorrem com frequência durante períodos como carnaval. Embora a televisão não mostre estas cenas, em geral, elas circulam até viralizar pela Internet. Recentemente alguns se mostraram horrorizados com uma postagem feita pelo Presidente Bolsonaro em que ele repudia, mas mostra, uma cena ocorrida em público. Muitos que, antes, consideravam normal crianças tocando um homem nu em “exposição” ou diversas cenas que beiram a pornografia expostas em programas de TV diariamente, passaram a repudiar a postagem do Presidente, viraram conservadores/puritanos de repente. Deixaram bem frisado que qualquer pornografia é Arte, mas postá-la e criticá-la é inaceitável. Eu, particularmente, considero ousadia e penso que, talvez, com este post, o mundo tenha consciência da realidade brasileira. Assim, quem vier a turismo, já estará preparado para o pior. O que vier será lucro. Pensando assim, será menos decepcionante.

Estamos numa época em que as verdades devem prevalecer, as mentiras e falcatruas devem vir à tona. Estes bastidores expostos pelo Presidente, fazem parte desta nova era de fatos e direitos e não de ficção, facções e inversões.

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Conclusão:

Voltando ao tema principal, a crueldade com os animais durante este período de carnaval, penso que a grande solução é plantar uma nova consciência. Para poupar os animais, é preciso antes, entender como funciona a alimentação humana, a preservação do meio ambiente, a existência dos animais e outros temas importantes que tornam seus conhecedores, seres preocupados com sua própria saúde, com o meio ambiente e amorosos com os animais. Neste sentido, meu projeto “Solua, vampirinho vegano” foi criado em 2010 e, desde então, vem informando e ensinando de forma lúdica o veganismo consciente a adultos e crianças. Desde 2014 está na Internet em e-books, desenhos animados e artigos informativos. Em 2017 aconteceu a Mega-apresentação que reuniu seis elencos que se apresentaram simultaneamente em seis cidades/estados brasileiros. Na ocasião, duas mil crianças e duzentos adultos assistiram ao vivo. Até hoje este material está disponível na internet em vídeos de ensaios e apresentações que podem ser assistidos gratuitamente. Só há dois itens que são vendidos para manter o projeto funcionando e com renda doada a cuidadores e ONGs de animais recolhidos das ruas: Camisetas com estampas do Vampirinho Vegano e e-books que contam com três aventuras do Vampirinho Vegano:Plantando uma nova consciência” (disponível em prosa e em texto teatral), “Ouvindo os animais” (disponível em texto teatral), as versões em texto teatral podem tanto ser lidas para as crianças quanto podem ser encenadas com as crianças, fixando assim, o conteúdo e ensinamentos que os textos contêm. E a versão em Inglês que pode ser usada até para ensinar Inglês e veganismo simultaneamente para as crianças. Ao adquirir uma camiseta ou e-book do vampirinho vegano, além de ter acesso a um ótimo produto e no caso dos e-books, excelente conteúdo,ainda colaborará para a manutenção do projeto e para auxiliar diversos cuidadores de animais tanto independentes quanto ONGs.

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Leia artigo na íntegra: Carnaval, de onde veio, para onde vai, clique aqui

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/03/05/interna-brasil,741145/franceses-sao-esfaqueados-em-tentativa-de-assalto-no-carnaval-de-bh.shtml