Este artigo foi escrito na primeira quinzena de novembro de 2018, logo após a Audiência Pública que culminou em agressões físicas na ALESP. Durante meses, este artigo ficou em análise para publicação  em revista impressa e terminou por ser rejeitado. Agora que a discussão se reacende, publico-o aqui no meu blog e mostro todos os ângulos deste conturbado tema que, no fundo,é muito simples de entender e aceitar. Leia, assista aos vídeos e tire suas conclusões.

O tema é polêmico. Tão polêmico que já provocou muitas discussões, passeatas e até agressões físicas. A mais recente envolveu o Deputado Estadual Carlos Giannazi, o Deputado Estadual eleito Douglas Garcia e uma ativista Ana Cláudia. Em meio a uma conturbada discussão, Giannazi puxou o celular da mão de Garcia e o sacudiu fazendo Garcia se desequilibrar. Na sequência, Giannazi, usando um microfone como “arma”, bateu com força no braço da ativista Ana Cláudia. Isso a levou ao hospital com ferimento grave. Ela precisou ser medicada, teve sua mão e seu braço enfaixados e está usando uma tipoia. Ou seja, foi grave! Eu conheço pessoalmente o Deputado Giannazi e posso afirmar que, apesar de meio agressivo e com fama de “encrenqueiro”, comigo ele sempre foi educado e prestativo. Porém, os vídeos (não editados) e os testemunhos provam que, desta vez, ele se excedeu e pode, inclusive, ter seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar.

Escola Sem Partido Confusão na ALESP, Gianazzi agride Douglas Garcia e Ana Cláudia. Foto- Internet

A confusão toda começou um dia antes. Segundo Garcia, o Deputado agredido, ele procurou Giannazi para solicitar um lugar à mesa de debates que estava sendo organizada para a noite de 13 de novembro, ocasião em que se discutiria a validade ou não da “Escola sem Partido”. Segundo Garcia, Giannazi nem o recebeu, portanto ele ficou impossibilitado de integrar a mesa que era composta apenas por membros contrários ao projeto. Isso, além de antidemocrático, caracterizou ser uma audiência contrária ao projeto e não uma audiência pública que deveria ouvir os dois lados e definir o melhor para todos. Inconformado, Garcia compareceu ao local da audiência e se juntou ao público para assistir. Com ele estava a ativista Ana Cláudia e outras pessoas que se juntaram em defesa da causa, embora, como já relatado, não tenham sido aceitos para compor a mesa. Em certo momento, algumas pessoas se dirigiram à mesa, na tentativa de defender suas razões, o que é perfeitamente aceitável em uma audiência pública. Afinal, como já foi dito, uma audiência (e tudo que se propõe a escolher o melhor para a sociedade) deve pesar todos os ângulos e, no mínimo, dois lados da questão. Infelizmente, este detalhe passou despercebido e as pessoas que reivindicavam o direito de exposição de suas razões não foram aceitas. Em vista disso, começaram a reclamar e muitos se puseram a filmar com seus celulares. Foi quando ocorreu a sucessão de agressões por parte de Giannazi.

Ana Cláudia, após agressão de Giannazzi, já medicada, com braço enfaixado e na tipoia

Mas, afinal, que tema é este que tira tanta gente do sério e o que significa a mudança que está sendo proposta?

O Programa intitulado “Escola sem Partido” foi criado pelo advogado Miguel Nagib e foi divulgado em todo o Brasil a partir de 2004. O que desencadeou o movimento foi o fato de Nagib, sendo católico, ter presenciado um professor de História comparar Che Guevara com o santo católico São Francisco de Assis. Mas, aqui, vale lembrar que não é preciso ser católico para se indignar com esta comparação. Afinal, Francisco de Assis, cujo nome verdadeiro foi Giovanni di Pietro di Bernardone, apesar de ter sido um jovem irrequieto, com uma vida considerada mundana, teve um chamado divino, tornou-se frade, fazendo voto de pobreza e seguiu como um pacificador, Che Guevara foi um guerrilheiro que matou muita gente, incluindo camponeses e muitos gays. Apesar de sua biografia citar que foi Jornalista, político, escritor e médico, os rastros de sangue que deixou e as memórias dos mais velhos comprovam que foi mais para guerrilheiro do que para o intelectual que nos dias atuais se insiste em “pintá-lo”. Inclusive, esta questão do ser “médico” esbarra no caso recente do “Mais Médicos” que deixou o país após o Presidente eleito Jair Bolsonaro propor a Cuba permitir aos Médicos do programa trazerem suas famílias, passarem a receber o salário integral, por volta de dez mil reais, (pois no atual programa eles recebiam pouco mais de três mil, o restante era recolhido para o governo cubano) e se submeterem a prova para revalidar seus diplomas. Imediatamente Cuba levou seus “Médicos” de volta. Grande parte da mídia, colocou o Presidente como um monstro que desmontou o programa. Porém, em meio a isso, quem se aprofundou no tema percebeu que, se Cuba tem apenas duas faculdades que formam, juntas, uma media de trezentos médicos por ano, como pode fornecer tantos milhares de médicos espalhados em 67 países das Américas, da África, da Ásia e da Europa? Foi ai que veio à tona a denúncia feita por Ronaldo Caiado em que ele cita os “espiões” infiltrados no programa “Mais Médicos”. Levando-se em conta que muitos dos integrantes são apenas enfermeiros e muitos são espiões e que o curso de medicina em Cuba tem duração de quatro anos, que qualidade de atendimento poderíamos esperar deste “programa”? E, voltando ao Che Guevara, será que ele foi um dos primeiros “espiões” a receber diploma de Médico? E como compará-lo a Francisco de Assis? Neste ponto se justifica o movimento criado por Nagib, afinal os alunos têm direito de saber a verdade ou, ao menos, as duas versões e não apenas a versão da santidade de Che Guevara. Pois bem, a partir deste incidente, Nagib diz ter se inspirado em um site intitulado NoIndoctrination.org”, que atualmente está fora do ar e seu movimento passou a ser uma espécie de representação de pais e estudantes, na sequência, criou-se um grupo liderado por Nagib pretendendo posicionar-se contrariamente ao que chamaram “doutrinação ideológica” nas escolas. A ideia, a princípio, consistia em apenas afixar nas escolas um cartaz com uma lista por ele chamada de “deveres do professor”. Deveres estes que já existiam, segundo Nagib, o objetivo seria “apenas levá-los ao conhecimento dos alunos, para que eles mesmos possam se defender contra eventuais abusos praticados por seus professores, já que, dentro da sala de aula, ninguém mais poderá fazer isso por eles.

Segundo o Movimento Escola Sem Partido, estes direitos dos alunos e dos pais está estipulado na Constituição Federal (Constituição da República Federativa do Brasil) e também na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, sendo:

* Liberdade de consciência e de crença e a liberdade de aprender dos alunos. art. 5º, VI e VIII; e art. 206, II, da CF). E o o pluralismo de ideias (art. 206, III, da CF), sendo escrito na íntegra, da seguinte forma:


art. 5º, VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

art. 5º, VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

art. 206, II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

art. 206, III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

* Princípio constitucional da neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado (arts. 1º, V; 5º, caput; 14, caput; 17, caput; 19, 34, VII, ‘a’, e 37, caput, da CF). Nestas citações, houve algumas alterações e se encontra na íntegra, apenas o art 1º, V – o pluralismo político.


*o direito dos pais dos alunos sobre a educação religiosa e moral dos seus filhos (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 12, IV). Na íntegra se pode ler:

CADH Artigo 12. Liberdade de consciência e de religião

4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.

O resumo desta proposta “Escola Sem Partido” é o que está neste banner:

Cartaz com os deveres dos professores que a Escola sem Partido exige que sejam cumpridos

 

Durante anos, este movimento continuou de forma quase imperceptível, porém em 2015, ganhou notoriedade em virtude de vários projetos de lei que foram inspirados neste movimento. Ao serem apresentados e debatidos tanto em Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas quanto no Congresso Nacional, tornaram o movimento de Nagib popular. Ao mesmo tempo, Nagib transformou o movimento em associação, o que reforçou a causa. Por influência deste movimento, agora associação, quase sessenta projetos de lei foram apresentados em todo o país, isso prova que são muitos os defensores da causa. Por outro lado, o Conselho Nacional de Direitos Humanos emitiu uma resolução em que repudiou todas as iniciativas do Escola sem Partido. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que o movimento é uma ameaça aos direitos humanos básicos, além disso, o Ministério Público Federal acusou a inconstitucionalidade do movimento. Resta saber quais direitos humanos estão sendo ameaçados, já que o movimento nasceu justamente da necessidade de se frisar o direito de se saber a verdade, de conhecer os dois lados de um fato, de se poder ter suas próprias escolhas. Deve-se lembrar que os direitos humanos básicos que todo ser humano precisa ter respeitados, inclui direitos civis e políticos entre os quais estão direito à vida, à liberdade de pensamento, de expressão, de crença, de opção política, entre outros tantos direitos. Mas a pergunta que fica é: Se o professor tem seu direito respeitado ao afirmar que Che Guevara e São Francisco de Assis têm a mesma trajetória de vida, porque talvez este professor, de fato, acredite nisso, por que o aluno não tem o direito de questionar ou de conhecer uma outra versão e decidir a que melhor lhe cabe? Isso é muito sério. Ou se respeita o direito do professor e do aluno ou temos aqui uma versão capenga da defesa de direitos.

Segundo Nagib, “A partir do momento em que o professor se aproveita dessa circunstância não para falar de forma parcial equilibrada, mas para promover as suas próprias preferências, ele está violando a liberdade de consciência e de crença dos alunos, E, convenhamos, Nagib tem razão.

O que está causando uma certa polêmica, no Brasil, é o fato de a maioria dos parlamentares que apoiam o movimento serem cristãos (católicos e evangélicos). Isso acabou dando uma conotação religiosa a um movimento que busca apenas resgatar as origens dos fatos e o direito do aluno de fazer suas escolhas. Isto é, de fato, liberdade de pensamento e expressão.

Um dos projetos mais polêmicos, influenciado pelo movimento de Nagib, foi apresentado em junho de 2016 (PLS 193/2016) pelo ex senador e pastor evangélico Magno Malta, juntamente a uma proposta de consulta pública sobre o Programa Escola sem Partido. Pode-se ler em diversas descrições que o referido projeto visa limitar a atuação dos professores, impedindo-os de promoverem suas crenças ideológicas e partidárias em sala de aula e até impedir os professores de incitarem seus alunos a participarem de protestos populares. Como parte da limitação é buscada uma tipificação de crime chamado no projeto de “assédio ideológico” em sala de aula. Porém, como já foi citado, a intenção é apenas proporcionar aos alunos o direito de escolha que está sendo tolhido a partir do momento em que o professor lhe fornece apenas uma versão de um fato seja histórico ou não. Ninguém está negando aos professores seus direitos de terem suas crenças, suas ideologias e suas opiniões, o que se está questionando e até criticando é o “não direito aos alunos pelos mesmos direitos”, ou seja, os alunos também tem que ser respeitados caso suas ideias, ideologias e crenças fujam aos propagados pelos professores e pela considerada maioria da classe.

Por todo o país, há uma divisão de opiniões, basicamente há os que defendem a “Escola sem partido” e os que defendem a “Escola sem censura”. Mas, nesta batalha é preciso definir o que é “Escola sem censura”, não seria exatamente o que defende a “Escola sem partido”? Ou seja, não seria exatamente o direito de ter sua opinião em diversos segmentos, mesmo não sendo a mesma defendida pela maioria? Complicado isso, não é? Parece que há uma inversão de valores até mesmo na defesa das causas. Isso precisa ser averiguado.

Outra questão que requer uma boa averiguação é o currículo de cursos (e os próprios cursos) de algumas Universidades. Segundo o Professor aposentado e comentarista político Marco Antonio Villa, há uma “herança maldita” na estrutura do Estado Brasileiro e ele (Villa) atribui isso ao PT. Ele afirma que o caos no ensino é total, mas o principal está em universidades e cita duas em específico que seriam o auge do despreparo e destempero de um desgoverno. “Universidade Federal da Integração Latino-americana” (UNILA) instalada no Paraná e “Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira” (UNILAB) instalada no Ceará. Nesta última universidade, questiona Villa, há disciplinas como “pretagogia”, “Fundamentos Filosóficos e Práticos do Samba”, “Fundamentos Filosóficos e Práticos da capoeira”, entre outras. Villa ironiza perguntando se os professores destas disciplinas fizeram mestrado e doutorado, como são feitas as seleções destes professores e como é o conteúdo programático destas disciplinas. Cita também que a Universidade Federal do ABC, a “Afro-etino-matemática” será matéria obrigatória no curso de Licenciatura. E esta “Afro-etino-matemática”, definida como estudo de contribuições africanas e afro-descendentes à matemática e tem como objetivo principal romper com os moldes da educação reprodutora do racismo. E a justificativa é que se põe contra a supervalorização do pensamento de matriz europeia em detrimento da produção intelectual de origem africana. Vale lembrar que Villa é Mestre em Sociologia, Doutor em História Social, ambos pela USP, Professor aposentado da Universidade de São Carlos e, atualmente, faz parte da bancada do Jornal da Manhã na Rádio Jovem Pan, ou seja, tem uma boa bagagem para poder criticar estas universidades e suas bizarras disciplinas. Até porque, agora uma observação minha, a questão que envolve matemática parece fugir à realidade, ou seja, invés de ensinar matemática, se ensina os questionamentos de quem contribuiu para o desenvolvimento da mesma. Como aliás, todas as matérias ultimamente, estão neste nível, não se ensina mais a matéria em si, o ensino é sobre questões inerentes à matéria. É algo como invés de ensinar o conteúdo, se ensina a aprender o conteúdo que nunca é mostrado. É a versão educacional da fábula “A Roupa do Rei”…

Pesquisei bastante sobre estas afirmações de Villa. No site das Universidades, é difícil localizar pois a descrição dos cursos, bem como suas grades curriculares são extensas e meio confusas de se entender. Então, não posso afirmar com convicção embora, como já citei, ele tenha muita bagagem e credibilidade, apresentou documento comprobatório e não inventaria algo tão sério assim. Além disso, de imediato já chama a atenção no site da “Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira” (UNILAB), um seminário “Africanidades em Movimento e Cotidiano Escolar”, cujo objetivo principal é discutir sobre formação de professores, cultura africana e afro-brasileira, a lei 10.639/2003 (obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira). Estas divisões e subdivisões da população acabam por enfraquecer a nação. Ninguém pode ser impedido de cultuar suas raízes, porém isso deveria ser integrado ao cultivo da história do país em que vivem. Assim haveria uma integração de culturas e união de povos, de fato. Mas, da forma como está estruturado, provoca uma divisão, inclusive com uma universidade só para afrodescendentes. É o primeiro passo para criar atritos, separando-se por “tribos”, raças, crenças, e tantas outras divisões que, muitas vezes, trazem discórdias até mesmo entre famílias. Seguindo esta linha de raciocínio, deveria então haver universidades específicas para todos os imigrantes, italianos, portugueses, judeus, árabes e tantos outros povos que se somaram ao Brasil. Isso é também complexo na medida em que coloca negros contra brancos e se estipula racismo sempre contra negros. Mas, analisando a fundo, percebe-se que o racismo vai além disso. Racismo é discriminar qualquer raça, exemplos: quando alguém chama o vendedor com um “ô china!”, ou se refere a alguém como “ aquele japonês nerd” ou compara judeus a “porcos” ou “português burro”, isso inclui até piadinhas. Tudo isso é racismo, mas passa despercebido pelo bombardeio de informações sobre o racismo contra negros. Há alguns anos eu escrevi um artigo que foi publicado pelo “Jornal Ecos” em que eu abordava este tema “Racismo, de que lado você está?”. Nele, eu mostrava diversas formas disfarçadas de racismo e, inclusive, relatava uma experiência que tive em que sofri bullying por ser a única branca em meio a uma comunidade de negros. E ai, como ficam os direitos humanos? E quem é racista nestes casos?

Doria defende a Escola sem Partido

Tudo isso precisa ser analisado pois está sendo enraizado por escolas e universidades. Locais onde deveria prevalecer a união, tornam-se campos de batalha para confrontar minorias. Mas a questão do racismo é uma entre tantas outras. Entre as ideologias pregadas e criticadas, duas são mais fortes. A política, da qual já escrevi um pouco e a de gêneros. E ai, a primeira pergunta que vem à mente é:

Como ficam as crianças em meio a este impasse?

As crianças também estão sendo alvo de um conceito um tanto quanto polêmico e é preciso verificar a fundo o que ocorre no ensino infantil (fundamental). A maior polêmica é sobre sexualidade. Há denúncias de pais e de políticos sobre a estimulação precoce de crianças em algumas escolas. Já se nomeou o material até como “kitgay”. No meu entendimento, deveriam nomeá-lo “Kit estimulação precoce de sexualidade”, seria melhor entendido pela maioria. Porém, o nome que mais se propagou foi “Kit Gay” e acabou sendo visto por parte da sociedade como preconceito de evangélicos e outros religiosos, em relação aos gays. E graças a manobra da grande mídia e dos concorrentes, pareceu apenas um devaneio do pobre candidato, agora eleito Presidente (que já foi até esfaqueado e ninguém da concorrência respeitou isso). Acontece que este kit (independente de chamá-lo Kit Gay ou qualquer outro nome) não só existiu, como ainda existe em diversas escolas. Há diversos relatos de pais e professores e algumas reportagens de TV, que provam esta existência e distribuição em escolas e bibliotecas, E mais, não é só o material sobre sexualidade (homo e hétero), há também um livro que ensina até a fazer penetração intitulado “Aparelho Sexual e Cia.” (atualmente pode ser adquirido em livrarias também) e outro com um conto de fadas destinado a crianças de seis a oito anos, intitulada “A triste história de Eredegalda”, em que a menina é pedida em casamento pelo próprio pai. Ao ser recusado, ele prende a filha num castelo, obrigando-a a comer só carne muito salgada e nunca beber água, Quando ele resolve tirá-la de lá, é tarde, ela já está morta. Todo este material relatado foi idealizado para alunos a partir dos seis anos, em sua maioria dos seis aos dez anos, sendo que os vídeos, ao que se saiba, foram exibidos a pré adolescentes e adolescentes, entre onze e quinze anos. A reação desses adolescentes não foi muito receptiva. A maioria sentiu-se mal ou desconcertada ao assistir aos vídeos.

Todo este material foi criado e editado pelo MEC e autorizado pelo ministro da educação, Fernando Haddad, exceto o livro do “conto de fadas” que foi distribuído em 2015 quando ele já havia saído deste ministério. Como, durante a campanha eleitoral deste ano (2018), todo este material foi retirado da Internet, não consegui verificar quem estava no Ministério da Educação quando o livro foi liberado, já que em 2015 foram dois ministros da educação: Cid Gomes 02/01/2015 a 18/03/2015 e Renato Janine Ribeiro a partir de 06/04/2015. É preciso frisar dois pontos, primeiro, apesar de o material ter sido retirado da Internet, há provas contundentes, algumas eu publiquei no meu blog, outras estão em vídeos de diversos youtubers, muitos são professores que tomaram contato com o material ou são documentários feitos pela TV.

Outro ponto é que, em 2011 houve uma suposta proibição da distribuição, mas este material já estava em diversas escolas e bibliotecas. Há relatos de professores sobre isso. E até hoje, 2018, há professores afirmando que ainda se encontra este material em suas escolas. Há inclusive uma reportagem feita pela TV Record em que mostra desde a apresentação feita pelo ex Secretário do Ministério da Educação, André Lázaro, até diversos comentários de pais e professores contrários ao kit. O que mais indignou a todos foi a parte em que Lázaro relata a grande preocupação em saber até onde entraria a língua num beijo entre duas meninas. Na sequência, ele disparou que estavam estudando a distribuição deste material também para o ensino fundamental. Professores e pais comentaram que, na elaboração do kit, a preocupação deveria ser onde, para qual faixa etária e de qual forma seria distribuído e não com um beijo entre meninas. E este tipo de material sequer deveria ser cogitado constar na grade do ensino fundamental. Especialistas também afirmaram que a apresentação deste material poderia ter efeito contrário, ou seja, promover rejeição ao homossexualismo invés de combater um suposto preconceito. Concordo com os professores, pais e profissionais que opinaram. Inclusive sempre cito que esta exposição de crianças pequenas à sexualidade seja homo ou hétero é prejudicial e tem ocorrido não só na escola mas na televisão. Ficou marcado um episódio em que a Fátima Bernardes mostrou um vídeo de um casal gay que se pedem em casamento e se beijam em público. Este vídeo foi mostrado para público adulto, na sequência para crianças aparentando entre cinco e oito anos, (embora ela relate que tenham entre seis e nove anos) de idade. Diante dos comentários do público tanto adulto quanto infantil, alguns artistas e “famosos” inseriram suas observações. A maioria dos adultos se posicionou contra, só uma a favor. Entre as crianças, uma delas disse que o importante é que o casal estava feliz enquanto outras rejeitaram e uma delas disse que beijo entre dois homens era “nojento”. Imediatamente questionaram a criança sobre o “porquê” dela achar isso nojento e a Fátima explicou que talvez fosse pela idade da criança, quando estivesse mais crescida pensaria ser natural este mesmo beijo. E que “acabariam se acostumando”. A pergunta que fica é: Se acostumarem com isso para quê? Quando um pré-adolescente começa a se identificar com o mesmo sexo e se nota homossexual, é hora de orientá-lo, mas forçar crianças a partir de cinco anos a se “acostumarem” com cenas homossexuais chega a ser criminoso. Afinal, antes da pré adolescência, as crianças não tem maturidade para entender a sexualidade e nem há porque orientá-las. Caso uma criança seja mais curiosa e faça perguntas antes dos dez ou onze anos, cabe aos pais orientá-la e não a escola ou, menos ainda, a uma emissora de TV.

Vale lembrar que, antes da polêmica deste kit e destes programas de Tv que ocorreram entre 2011 e 2014, José Serra (PSDB), enquanto foi Governador de SP, distribuiu para as escolas paulistas, em 2009, um material semelhante ao que o MEC (Ministério da Educação), na gestão de Fernando Haddad (PT), elaborou para combater a homofobia nas escolas. Até que começou a grande divergência sobre o kit e sua aplicação prática, já relatados neste artigo.

Em outros países também há uma grande polêmica sobre a ideologia de gêneros. Além de muitos materiais impressos, na atualidade, há também uma série de vídeos disponíveis no YouTube em que, nos Estados Unidos, a professora começa questionando as crianças sobre meninos cursarem balé e meninas praticarem esportes. A medida em que a aula vai se estendendo, ela começa a expor para as crianças um questionamento sobre vestir roupas do sexo oposto, usar batom (para meninos) entre outros direcionamentos. Levando em conta que a turma na qual ela leciona é de crianças muito pequenas, em média, com quatro anos de idade, caracteriza uma invasão na educação que deve partir dos pais. De todos os vídeos, o que mais chama atenção é um realizado na Europa que mostra diversas escolas tratando as crianças como “isso”, invés de ela ou ele para que possam “escolher” o gênero que querem ter. Uma das escolas, inclusive, promove um dia em que tanto alunos quanto professores usam roupas e acessórios do sexo oposto, para “se colocarem no lugar do outro” e há até um casal jovem que veste seu filho de apenas dois anos tanto com roupas masculinas quanto femininas, a mãe pinta as unhas dele e coloca presilhas em seu cabelo. Tudo isso para que o filho possa escolher quem ele quer ser. Porém, uma criança de dois anos não está preparada para fazer esta escolha… Isso tudo é inaceitável. Crianças devem ter sua infância respeitada, seu direito a ser criança. Optar pelo seu gênero, se for o caso, deve ser uma decisão para a adolescência. Antes disso, deve ser suficiente que aprendam boas maneiras, educação com os pais e, na escola, aprendam a ler, escrever, fazer contas. Enfim, está na hora da escola voltar a ser escola.

A síntese deste impasse é que, de um lado, estão as famílias, independente de religião ou partido político, que querem ter direito (merecido, por sinal) de educarem seus filhos e incutirem neles as suas crenças religiosas, políticas, ideológicas, enfim, educarem seus filhos como acharem melhor, reservando à escola um papel secundário, apenas como ensinadora de matérias como Português, Matemática, etc. De outro lado estão alguns professores, alguns membros ou chefes de movimentos como LGBT, negros, entre outros que querem impor seus conceitos a todos. A questão torna-se polêmica pois os dois lados pensam ter razão. Mas o bom senso mostra que, em se tratando de crianças ou adolescentes, os pais têm sim o direito de educá-los como melhor convier. Isso é óbvio, mas há quem julgue ser a “lei da mordaça”, fascismo (sem nem saber do que se trata, já que fascismo é algo complexo, para explicar em poucas palavras, mas não é, de forma nenhuma, comparável ao simples direito dos pais serem pais, só isso).

Escola Sem Partido – Passeata dos pais no Peru.
Foto – Internet

Vale lembrar que este movimento “Escola sem partido” ocorre em diversas partes do mundo. E vem vencendo. A vitória mais comentada é a do Peru que, com frases de efeito como “Con mis hijos, no te metas” (não se meta com meus filhos) e outras nesta linha, barrou a implementação de parte do novo Currículo Nacional de Educação Básica e baniu, em definitivo, as ideologias das escolas. Por lá, os professores deverão lecionar apenas suas matérias. Nada de ficar pregando conceitos como Che Guevara ser herói ou meninos e meninas que podem escolher o sexo que querem ter e outros ensinamentos que, convenhamos, não cabem a educação de crianças e adolescentes na escola. A escola deve ser um local de aprendizado, mas educação, orientação religiosa, sexual e até política, deve ser dada pelos pais. A chamada “resistência conservadora” também se estende (e ganha força) por outros países como Equador, Chile, Argentina e Paraguai. Em Dakota do Sul USA, o Senador Phil Jensen, segundo a Gazeta do Povo, está propondo a proibição do ensino de identidade e expressão de gênero em sala de aula. Este é o primeiro estado americano a propor esta proibição, embora outros sete estados americanos já adotem políticas de limitação do ensino de conteúdos em relação a identidade de gêneros. São eles: Alabama, Arizona, Carolina do Sul, Louisiana, Mississippi, Oklahoma, e Texas.


Aqui no Brasil crescem os apoiadores deste movimento da mesma forma como crescem os opositores. O ideal seria encontrar o equilíbrio, ou seja, poderia se permitir discussões políticas, dependendo do curso, da instituição e desde que fossem discutidos todos os partidos sob todos os ângulos, porém da forma como tem sido feito, com apresentação apenas dos ideais e dos heróis de esquerda, condena-se os alunos que pensam diferente a, de fato, uma mordaça. Os que insistem, em geral, são xingados e até expulsos das aulas (foi o que ocorreu comigo em algumas experiências que não relatei para não tornar o artigo muito longo. Mas senti na pele esta “doutrinação” em diversas fases de minha vida escolar). Assim, é inadmissível que continue. Quanto ao possível preconceito ou a uma suposta homofobia, isso deve ser também analisado de outra forma. Se um(a) aluno(a) apresenta características homossexuais e, em vista disso, sofre discriminação, o professor pode e deve promover um diálogo para buscar um maior entendimento da turma como um todo. Porém, o que tem sido feito é forçar crianças, até mesmo as muito pequenas a tomar conhecimento de diálogos e materiais com os quais elas não tem maturidade para entender.

Cartaz com os deveres dos professores que a Escola sem Partido exige que sejam cumpridos

Finalizando, pois o artigo já está longo, no meu entendimento, Escola Sem Partido é um termo errado para definir o propósito. Deveria se intitular Escola De Verdade. Ninguém pode ser impedido de dizer a verdade, porém, NÃO A SUA VERDADE como única. Em se tratando de adultos, liberdade é conhecer os dois lados, ainda que contraditórios, analisar vários ângulos e depois tirar suas conclusões. Em se tratando de crianças, cabe aos pais ensinarem conceitos e ideais, desde que tenham preparo para isso. Escola deve ensinar matérias básicas para a continuidade dos estudos até a Universidade que deve preparar o aluno para um bom desempenho na vida profissional. Se, na vida pessoal, haverá opção de gênero, ideais políticos ou religiosos, não cabe a escola definir.

Opinião de uma professora, Paula Marisa, sobre a Escola sem partido:

Vídeo sobre a agressão de Gianazzi ao deputado eleito  Douglas Garcia e a ativista Ana Cláudia:

Neste vídeo um resumo do conturbado debate que culminou em agressões físicas:

 

Pelo fato de muito deste material citado aqui estar sendo retirado da Internet, eu fiz um resumo (incluindo as mais importantes publicações em PDF e vídeos) abordando também publicações do MEC e “Kit gay” que pode ser consultado neste link: https://wp.me/p1k6R2-vg

Constituição Federal (Constituição da República Federativa do Brasil) e Convenção Americana sobre Direitos Humanos, estão nestes links:

https://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/c.convencao_americana.htm

https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf

Site Escola sem partido: https://www.programaescolasempartido.org/

Artigos e reportagens:

https://www.metropoles.com/brasil/deputada-do-mercosul-quer-adesao-do-bloco-ao-escola-sem-partido

https://www.opovo.com.br/jornal/politica/2019/02/32296-projeto-escola-sem-partido-e-reapresentado-na-al-ce.html

Anna Lou Olivier (Lou de Olivier), autora desta pesquisa e artigo, está reativando treinamento motivacional e educacional em Multiterapia para professores e profissionais de saúde. Informações no site https://www.loudeolivier.com.br/ ou http://www.multiterapia.med.br/ 

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