Não importa o que o novo governo faça, a mídia está empenhada em distorcer os fatos e informar ao público apenas o lado ruim das questões. Isso confunde os leigos e traz impasses desnecessários. A bola da vez é o “eletrochoque” que, para começar, não é mais chamado assim há muito tempo. Atualmente este procedimento é chamado de “eletroconvulsoterapia” e, se bem aplicado, pode salvar vidas. Porém a mídia, amparada por formadores de opinião leigos, levanta a voz contra este “retrocesso”. Neste artigo eu mostro a verdade sobre este tema.

Experimento satirizando ECT – Foto Dreamstime

Em primeiro lugar, vasculhando o site OFICIAL do Ministério da Saúde, não se encontra nada a respeito da implantação de eletroconvulsoterapia, também conhecido como “ECT” pelo SUS. O que se encontra são dois artigos sobre Depressão pós-parto que citam, em casos mais graves, a opção de ECT. Há também um PDF isolado, um documento intitulado NOTA TÉCNICA Nº 11/2019-CGMAD/DAPES/SAS/MS, publicado no dia 5/2/2019 que, inclusive, cita resoluções anteriores ao novo governo. E sua publicação faz entender que o novo governo porá em prática as resoluções que não se cumpriram pelos governos anteriores. E que informa, no segundo e terceiro parágrafos da página seis:

Seguindo o compromisso com a oferta de tratamento de qualidade aos pacientes e seus familiares, a CIT fez questão de fazer constar em sua Resolução n.º 32/2017, de 17 de dezembro de 2017, que estabelece a Nova Política Nacional de Saúde Mental, que a assistência em Saúde Mental no SUS deverá seguir as melhores práticas clínicas e as mais robustas e recentes evidências científicas.

Quando se trata de oferta de tratamento efetivo aos pacientes com transtornos mentais, há que se buscar oferecer no SUS a disponibilização do melhor aparato terapêutico para a população. Como exemplo, há a Eletroconvulsoterapia (ECT), cujo aparelho passou a compor a lista do Sistema de Informação e Gerenciamento de Equipamentos e Materiais (SIGEM) do Fundo Nacional de Saúde, no ítem 11711. Desse modo, o Ministério da Saúde passa a financiar a compra desse tipo de equipamento para o tratamento de pacientes que apresentam determinados transtornos mentais graves e refratários a outras abordagens terapêuticas (National Institute for Clinical Excellence, N., Guidance on the use of electroconvulsive therapy. 2014, National Institute for Clinical Excellence: London; Mochcovitch, M.D., et al., Diretrizes Terapêuticas para Eletroconvulsoterapia – Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira, in Projeto Diretrizes. 2013, AMB/CFM).

SUS Sistema Único de Saúde

O problema é que até o momento estes equipamentos parecem não ter sido adquiridos de fato pelo SUS, há até casos de pacientes que processaram o Instituto de Previdência de seus Estados por necessitarem de ECT e os hospitais públicos não disporem de equipamentos nem profissionais para o procedimento. O novo governo parece disposto a sanar este problema que seria de grande valia aos pacientes necessitados, E, enquanto os leigos se levantam contra este “retrocesso”, até o momento, as aplicações de ECT estão restritas a clínicas particulares. Isso mesmo, a técnica é aplicada com sucesso em clínicas particulares brasileiras e em diversos países é disponibilizada em hospitais públicos. Portanto, deve-se entender que o procedimento é muito seguro e indolor e é utilizado em casos graves para controle de sintomas, tiques, etc. Há duas formas de aplicação com ou sem internação. No procedimento ambulatorial, o paciente é recebido pela manhã, em jejum, por uma equipe de enfermeiros e psicólogos que o preparam para o procedimento. Na sequência o paciente recebe anestesia, relaxante muscular, além de oxigenação e monitores cardíacos e, só então, passa pelo procedimento, de forma tranquila. E sem nada que lembre os antigos eletrochoques. Após o procedimento, o paciente fica em observação até estar totalmente apto, ai recebe café da manhã e, na maioria dos casos, retorna ao lar no mesmo dia.

Mas se é um procedimento seguro, muito usado no mundo todo, inclusive no Brasil, com excelentes resultados em casos graves que não respondem a medicamentos e outros procedimentos. E se ainda está em andamento a implantação pelo SUS, nem se resolveu, de fato,  se haverá este procedimento pelo SUS, qual a razão de tanta polêmica, do “repúdio” do CFP e da avalanche de “artigos” iniciada pelo Estadão e replicada por diversos alienados que nem verificam antes de publicar?

Como citei no início, não importa o que o novo Governo faça, a mídia só divulga o lado ruim e os supostos erros. A função do CFP parece ser repudiar tudo e todos. Não é a primeira vez que causa polêmica e atrasa decisões de tratamentos. Já afirmou que Dislexia e TDAH não existem, foram inventados. Agora é a vez do ECT que ainda pode ser implantado pelo SUS. Quem perde mais é o paciente que fica esperando o tratamento enquanto as discussões se arrastam. E é preciso frisar que, atualmente, este procedimento só é realizado no Brasil em clínicas particulares e tem um alto custo. Ser contra a possível implantação pelo SUS é negar ao pobre o direito de ter o mesmo tratamento que o rico dispõe de forma particular. Isso sim, é retrocesso.

Hospital Particular Fonte Dreamstime

Vale lembrar que a Classe Médica é a favor do ECT. Apesar de não ser Médica, eu também sou a favor do procedimento. Aliás, tanto defendo este procedimento que o descrevo em detalhes em dois livros meus “Distúrbios de Aprendizagem e de Comportamento”, atualmente em sétima edição e “Psicopedagogia e Arteterapia – teoria e prática na aplicação em clínicas e escolas” indo para a quarta edição.

Qualquer profissional com um mínimo de conhecimento em Psiquiatria e bom senso só pode aprovar este procedimento. Os que se posicionam de forma contrária ou são totalmente leigos e devem assumir sua condição ignorante, parando de atrapalhar a vida de pacientes que precisam do método. Ou são malintencionados mesmo e querem só atrapalhar e deturpar tudo que o novo Governo tenta introduzir de útil em todas as áreas. Neste caso, os “do contra” não prejudicam só os pacientes, prejudicam os profissionais que atuam com ECT e, mais, prejudicam o país que, por sinal, é alvo de chacotas no exterior, justo por esta visão ignorante de algumas associações e alguns conselhos federais que passam uma ideia equivocada ao exterior, como se no Brasil, todos os profissionais fossem despreparados e até leigos. O Brasil tem excelentes profissionais, tem pesquisas avançadas em diversas áreas e não pode mais ser visto como país de terceiro mundo onde nada se cria, nada se solidifica, nada se pode implantar que não seja resto de países “mais evoluídos”. E sempre com atraso de muitos anos…

Está na hora de mudar isso. Vamos, isso sim, apoiar o novo Governo para que possa cumprir, de fato, todas as promessas de governos anteriores que não se cumpriram, e as promessas que ele próprio fez, mudar o que está errado e buscar inovações, colocando o Brasil na rota de progresso que todos os brasileiros de bem esperam.

Opinião do Dr. Francisco Assumpção Jr, uma das maiores autoridades em Autismo no Brasil:

Burrice e ignorância típicas do Brasil. Eletroconvulsoterapia é técnica usada no mundo inteiro, sob anestesia, para casos muito pontuais e resistentes a medicação. Internação de crianças, em casos específicos como risco de suicídio, auto-mutilação para acerto de medicação é básica e a burrice e a estupidez ideológicas consideram desnecessárias. O que eu faço com uma criança de 11 anos e risco de suicídio? Deixo que ela morra ou os pais conseguem vigiá-la 12 horas por dia, até mesmo quando vai ao banheiro? Burrice, estupidez, preconceito e ignorância. Todos juntos constituem esse país. Gente que não sabe nada falando sobre o que não conhece. Inclusive a imprensa.” Dr, Francisco Assumpção Jr – Via Facebook

 

Saiba mais sobre ECT e outras importantes técnicas terapêuticas, lendo os livros:

Distúrbios de Aprendizagem e de Comportamento  -Lou de Olivier – WAK Editora clique aqui

 

Psicopedagogia e Arteterapia – Teoria e prática na aplicação em clínicas e escolas – Lou de Olivier – WAK  clique aqui

 

Leia também:

Nota Tecnica 11_2019

http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental/depressao-pos-parto