O termo Dislexia Adquirida foi criado por Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) para definir o distúrbio que ela própria apresentava, no final da década de 1970, após ter sofrido uma anoxia por afogamento e ter sido desenganada pela medicina. Lou, com ajuda de amigos que liam para ela, acabou identificando a Dislexia Adquirida e desde 1995 tem publicado a definição considerada oficial. Após muitos estudos, pesquisas e defesas desta tese, atualmente a Dislexia Adquirida  está oficializada e codificada em Inglês, Português e Espanhol pela Ciência da Saúde. 

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A definição oficial é a seguinte:

Dislexia Adquirida: É a que vem por meio de um acidente qualquer, como por exemplo, Anoxia Perinatal. (Anoxia é a diminuição ou ausência de oxigenação no cérebro), Acidente vascular Cerebral (o popular derrame) e outros acidentes e distúrbios que podem causar uma dislexia adquirida. No caso da anoxia perinatal, a criança poderá apresentar dificuldades significativas no aprendizado em vários níveis e, consequentemente, apresentar a dislexia ao ser alfabetizada… Em caso de anoxia por afogamento, AVC ou outros acidentes que possam deixar sequelas o indivíduo que possuía habilidade na leitura e escrevia normalmente passa a apresentar dislexia, tento colapsos de memória e muita dificuldade em ler e escrever“.

Esta definição oficial, divulgada por Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) desde a década de 90 consta em diversos artigos publicados em revistas e jornais nacionais e internacionais. E também em seu livro “Distúrbios de Aprendizagem e de comportamento”, atualmente em sétima edição.

Dislexia Adquirida por acidente automobilístico.

Há uma outra forma de se adquirir dislexia, apesar de ser mais rara, pode ocorrer. É o caso de pessoas que passaram por acidentes em que o carro caiu em locais com muita água (rios por exemplo) e os ocupantes se afogam enquanto tentam sair do carro acidentado. Outra forma é o(s) ocupante(s) do veículo acidentado se prender(em) nas ferragens ou ficando em posição que dificulta a respiração. Nos dois casos pode ocorrer anoxia e, como sequela, a dislexia adquirida. Há ainda a possibilidade do acidentado sofrer uma lesão cerebral durante o acidente. Dependendo da área cerebral atingida, haverá um tipo de sequela. Atingindo as áreas de processamento de leitura, obviamente, haverá uma dislexia adquirida.

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E quais são as áreas envolvidas no processo de leitura?

A princípio, as áreas envolvidas na leitura são: parietotemporal (responsável pela análise das palavras), frontal e occiptotemporal (responsável pela forma das palavras). Essas áreas possuem diferentes funções na leitura, e são ativadas conforme a necessidade do leitor. Considera-se também a área de Broca no processo de leitura. Esta área pode atuar em determinadas situações (articulação e análise das palavras) associada ao circuito temporo-parietal. Estudos mais recentes apontam para o cerebelo como envolvido no processo de Dislexia caso se detecte. Mas aqui se deve frisar que, para se considerar uma lesão cerebelar, deve haver sintomas tradicionais da disfunção cerebelar com distonia (problemas com a tônus muscular) e ataxia (desordem postural, marcha ou movimentos de membros), além de falha na consciência fonológica. É aqui que muitos se confundem atribuindo sintomas não comuns à dislexia. Cada caso é um caso e deve-se identificar cada um de forma isolada para que se possa averiguar qual tipo de dislexia a criança, adolescente ou adulto apresenta e qual o melhor tratamento para este caso.

Este tema é muito complexo, impossível abordar todos os pontos em um único artigo. Aprofunde-se neste tema lendo dois livros impressos, ambos de autoria de Lou de Olivier, Editora WAK – Rio de Janeiro – RJ “Distúrbios de Aprendizagem e de Comportamento” e “Transtornos de Comportamento e Distúrbios de Aprendizagem”. Em breve, novidades sobre Dislexia, Dislexia Adquirida e Disgrafia. Aguarde!

Livros citados podem ser conhecidos neste link: http://multiterapia.med.br/Livros.php

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Conheça os livros impressos e Digitais de Anna Lou Olivier (Lou de Olivier)