Em 24/03/2015, a então Presidente Dilma Roussef assinou MP, estendendo o modelo de reajuste do salário mínimo até 2019. Em 11/07/2018, foi aprovado pelo Congresso, o salário mínimo de R$ 998 para 2019. Só por esta introdução, já dá para perceber que o Bolsonaro não tem a responsabilidade sobre esta decisão que estão anunciando ser dele. Mas vou seguir analisando alguns detalhes importantes. Leia este artigo e entenda a polêmica.

O salário mínimo é calculado com a correção da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Em 12/04/2018, o governo federal propôs aumento do salário mínimo para R$ 1.002 em 2019. Porém, segundo o Ministério do Planejamento, este aumento representaria impacto de 16,8 bilhões aos cofres da Previdência. Sendo assim, em 11/07/2018, foi aprovado apenas aumento para R$ 998. Houve uma “projeção econômica” no Orçamento Cidadão 2018 (Projeto de Lei Orçamentária Anual 2019) de um salário mínimo de R$ 1.006, mas isso está mais para piada do que para um orçamento. Afinal, se os analistas afirmaram que o valor de R$ 1.002 já significaria impacto de mais de 16 milhões, sendo inviável, como alguém pode imaginar que seria possível propor R$ 1.006?

Na ocasião em que foi estipulado este valor de R$ 998,00, segundo análise de economistas, caso a inflação de 4,17% para o ano fosse confirmada, o novo salário mínimo representaria um ganho real de 0,4% aos profissionais. A inflação acabou fechando em 4.32%, dados da Agência Brasil, o que diminuiu o ganho real. Porém, este valor já estava estipulado desde julho e representava, na época, 4,6% superior aos R$ 954 pagos aos trabalhadores em 2018. E é preciso frisar bem que esta forma de cálculo que foi assinada em 2015 pela Dilma estará em vigor até 2019. Só no próximo ano, ou seja, em 2020, poderá ser alterada a forma de cálculo, se assim for necessário.

Bolsonaro foto pública Internet (acervo pessoal)

Portanto, as pessoas que estão reclamando e culpando o Bolsonaro, precisam entender que este sistema de cálculo e o valor já estipulado não dependiam dele. Passarão a depender a partir do próximo reajuste. Agora o principal fator que deve ser analisado pelos trabalhadores é que precisam entender o salário mínimo como algo básico, o nome já diz, é o mínimo. Isso deve servir como base para cálculo e não como meta. A maioria das profissões técnicas e acadêmicas usam o mínimo apenas como base. Muitos contratantes costumam estipular os salários dos contratados a partir de um salário mínimo até o limite do maior cargo. Como exemplo, numa empresa, a Faxineira recebe um mínimo, a Secretária recebe três mínimos e o Diretor recebe seis mínimos. Profissionais que atuam com vendas costumam receber um mínimo como ajuda de custo e tiram seus salários das comissões do que vendem. Assim por diante. Há casos de vendedores que trabalham sem nenhum fixo e, no entanto, são dos melhores remunerados, justamente porque não se acomodam com um fixo e batalham para ganhar cada vez mais. Sendo assim, são poucos os que trabalham apenas por um salário mínimo. E, mesmo que o trabalhador só receba um mínimo, em geral recebe também cesta básica, vale-transporte, vale-refeição e outros benefícios de acordo com cada empresa. O salário então é livre de qualquer gasto com o trabalho. Pensando desta forma, entende-se que o mínimo é apenas o básico e o trabalhador deve encarar a meta de um salário maior, buscando mais estudo, mais aperfeiçoamento e não discutindo pelo mínimo. 

Outro fator que precisa ser analisado. Muitas pessoas estão reclamando que o salário de um trabalhador é menor do que o auxílio-reclusão que atualmente é de R$ 1.319,18.. De fato, isso é muito injusto. Porém, esperemos que o Bolsonaro cumpra as promessas (e tenho certeza de que ele as cumprirá) e retire este benefício até mesmo para desestimular o crime. Tão logo isso ocorra, o salário do trabalhador será imensamente maior do que o zero de auxílio-reclusão. Portanto, é questão de tempo. Se todos tiverem paciência e colaborarem. E se esta imprensa maldita parar de deturpar todas as notícias, teremos um país mais justo para todos.

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Saiba mais: 

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