Eles são uns “grudinhos”, querem atenção e carinho o tempo todo e tudo é motivo para brincadeiras e alegria. Eles alegram nossa vida. Mas e nós? Como agimos com eles? Será que fazemos mesmo o certo ao cuidarmos de nossos animais de estimação? Neste artigo mostro um pouco da minha experiência em estudos e em vivências. E te convido a refletir até que ponto nossas atitudes são benéficas ou, no fundo, prejudiciais aos nossos amigos de quatro patas.

Arquivo pessoal

Desde bebê, eu convivo com animais. Meu pai recolhia cães e gatos das ruas, chegou a ter quatrocentos animais recolhidos ao mesmo tempo. Minha mãe, nascida no interior de São Paulo, amava galinhas, patos, cavalos e vacas. Ela criava galinhas e patos em nossa casa na capital de São Paulo. Era uma casa enorme que tinha espaço para as galinhas, tinha até uma piscina para os patos, em área separada dos cães e gatos do meu pai, sendo que alguns dos cachorros viviam na rua e só vinham na hora das refeições. Assim, todos conviviam pacificamente. Minha mãe usava alguns ovos das galinhas e patas como refeição, mas nunca as matava, chorava muito quando uma delas falecia e sempre me levava à fazenda para conhecer os outros animais. E, como já citei em outro artigo, a melhor babá que tive foi um Labrador Retriever, o Kanka.

Assim, eu adquiri muita experiência a respeito dos animais, Como até hoje convivo com alguns deles, eu escrevo este artigo me baseando em toda esta experiência. Não entrarei em detalhes sobre todos para não tornar o artigo muito longo. Sobre galinhas, vacas, porcos e outros animais “da fazenda” eu apenas digo que eles também tem sentimentos, também são vidas e merecem mais amor e respeito, não devem ser tratados como apenas “carne”. Neste sentido, eu tenho o projeto Vampirinho Vegano que ensina, fundamentado em Medicina e Nutrição, os benefícios de uma alimentação sem carne tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente e para os animais também. Ao final, indicarei links.

Abordarei especificamente sobre cães e gatos. A começar pelo fato de imaginarmos que recolhê-los das ruas seja uma grande dádiva para eles. De fato, nós os ajudamos quando os recolhemos, eles param de sentir frio, fome, maus-tratos, ganham uma caminha quentinha, alimentos na hora certa, carinho, amor. Mas, em troca, eles nos dão atenção e amor incondicional. E, para muitas pessoas, eles funcionam como terapeutas já que estão sempre felizes e brincalhões e, com isso, ajudam os humanos a enfrentarem seus problemas. Mas, além disso, eles se tornam dependentes de nós. E isso deve ser pensado. Nas ruas eles sofrem muito, mas eles aprendem a se defender. A partir do momento em que os recolhemos, nós os condicionamos a horários, rotinas, atitudes que, nas ruas, não existem. Em geral, nós os acostumamos com banhos, corte de unhas, tosa, caminhadas direcionadas (em caso de cachorros) e muitas outras rotinas que os tornam dependentes de nós. Por isso, abandonar um cão ou gato que se acostumou a esta rotina ou abandonar um filhotinho que ainda não desmamou, é um dos crimes mais hediondos. Simplesmente, eles não conseguem se readaptar ao meio de vida das ruas, não sabem se defender nem buscar alimentos e morrem à míngua, sem entender o que fizeram para serem abandonados. Por isso, pense bem antes de adotar um animal. Pense a longo prazo se poderá cuidar dele enquanto ele viver. Se algo acontecer, você tiver uma grave doença ou perder o emprego ou algo que te impeça de continuar cuidando do animal, procure alguém que possa fazê-lo. Não abandone seu animal nas ruas.

Viagens e banhos:

Alguns cães gostam muito de tomar banho, fazer caminhadas e de passear de carro, especialmente os que são acostumados desde filhotes. Já os gatos, desde filhotes, se acostumam com suas caminhas, seus potes de ração e caixas de areia em locais definidos. Eles se melindram se, por qualquer motivo, estes potes e caixas são mudados de lugar. Eles gostam de manter uma rotina e costumam odiar passear de carro. Alguns até entram em pânico em viagens mais longas. No entanto, nós, os tutores, não nos preocupamos com isso. Se resolvemos mudar os moveis de lugar, incluímos os pertences do gato sem notar a decepção dele. Se precisamos viajar, arrumamos nossas malas, colocamos nosso gato numa caixa de transporte e partimos sem pensar no trauma que o animal adquire a cada viagem. Outro detalhe importante. Não há locais específicos para atendimento de gatos, os poucos locais são para gatos de raça, não aceitam e discriminam os SRD (sem raça definida). Sendo assim, os veterinários, pet shops e locais de banho/tosa, em geral, são pensados para atender cães. Não levam em conta as peculiaridades dos gatos. O que resta aos tutores é levar os gatos para serem atendidos como “cães pequenos” ou cuidarem em casa mesmo. Ai entra o fator principal. Os gatos, em sua maioria, odeiam tomar banho. E, na verdade, eles se banham tanto com a língua que, a menos que tenham muitas pulgas ou alguma doença de pele que exija lavar e curar, o melhor mesmo é limpá-los com um paninho úmido só em água ou em água com essência de lavanda (única que não faz mal aos gatos). A proporção é de uma gota para meio litro de água. Deve-se molhar o pano nesta mistura, torcer bem e passar com carinho nos pelos do gatinho. Em seguida molhar outro pano limpo em água pura e passar nos pelos para retirar o excesso de água com essência. No rostinho e nos genitais você só deve passar um paninho molhado em água. Passe uma toalha ou pano limpo e seco. Pronto, só com este procedimento, você já limpou seu gatinho e evitou muitos traumas. Ele, inclusive, entende este procedimento como carinho e gosta muito. Nunca me esqueço de uma vez em que deixei meu gatinho no petshop e fui fazer compras no supermercado, quando voltei para retirá-lo, ele estava cheiroso, com gravatinha, mas me olhou com lágrimas nos olhinhos. Senti-me mal com isso e passei a levá-lo para banho só em último caso e ficar inspecionando todo o processo.

Castração:

Se você adotou um animal de rua e pretende ficar com ele enquanto ele viver, é dever castrá-lo. Isso o tornará mais dócil e feliz e até prolongará a vida dele, pois diminuirá o risco de câncer de mama e próstata, além de impedir que tenha muitos filhotes e você não tenha a quem doá-los. Você deve procurar um serviço especializado, se puder pagar, um veterinário particular fará este procedimento. O custo varia muito, entre R$ 60,00 (sessenta reais) e R$ 650,00 (seiscentos e cinquenta reais).  Se você não dispõe de recursos, há diversas opções de castração gratuita. Procure a Prefeitura de sua região que, certamente, há uma ação neste sentido. Pode também haver ONGs e, como alternativa, a maioria das faculdades de Medicina Veterinária, oferece castração gratuita realizada por estagiários supervisionados ou por professores valendo como aula aos alunos estagiários. Com todas estas opções, não há desculpa para não castrar seu amigo de quatro patas. Em São Paulo-SP, a Prefeitura oferece um banner com a lista dos locais que podem ser procurados pelos tutores. Ao final, indicarei também.

foto Dreamstime

E a castração de animais de rua?

Aqui entram duas situações que devem ser analisadas. As ONGs e protetores que recolhem animais, os levam para castrar e os doam, podem e devem continuar fazendo isso. Há alguns petshops que também oferecem estadia aos animais abandonados desde que a pessoa que os recolheu das ruas pague a castração. É uma forma de parceria que auxilia os animais abandonados. Tudo isso é muito bom e deve continuar. Lembrando que agora é Lei, a castração de animais recolhidos das ruas é obrigatória para os tutores.

Mas há os animais de rua que continuarão nas ruas após a castração. É o chamado CED (captura, esterilização e devolução). Surgiu em 1960 na Inglaterra e até hoje se estende pelo mundo. Isso ocorre muito com os gatos que, em geral, são os mais abandonados e os que mais se reproduzem, mas cães também podem ser recolhidos e castrados (depois devolvidos às ruas). Embora pareça um ato de muito amor, isso é questionável. Primeiro e principal, os animais castrados tornam-se mais lentos, calmos, mais sonolentos e sentem mais fome. Como imaginar que podem se readaptar ao meio hostil das ruas depois disso? Outro detalhe importante, a “captura” é feita por “gatoeiras”, os gatos deixam de ser alimentados por 36 horas antes da captura, para serem atraídos pela comida. Depois de capturados são transportados em caixa de transporte até o local da castração. Na maioria das vezes, estes animais são levados de volta aos locais de origem tão logo passa o efeito sedativo. Como fica a questão de os animais operados precisarem ser pré medicados antes e medicação durante e após a cirurgia com antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios? Quem cuida deles na convalescênça, se voltam às ruas logo após a sedação passar? Para completar, recebem o chamado “pique na orelha”, um corte na ponta da orelha, em região não vascularizada. Isto é um sinal internacional de que aquele gato já passou por CED (esterilização) e não precisa ser capturado de novo. A justificativa é que isso evita o estresse de ser capturado novamente sem necessidade. Mas eu pergunto, o que você sentiria se fizessem isso com você? Se você estivesse acostumado a se virar nas ruas, arranjar seu alimento (ou ser alimentado por pessoas sensibilizadas com sua situação) e de repente te deixassem 36 horas sem alimento, te capturassem, te castrassem, cortassem a ponta da sua orelha e te devolvessem às ruas? Você estaria mais lento(a), sonolento(a), sem forças para procurar o que comer e sem ação para se defender dos que ainda não passaram pelo procedimento… Isso é ato de amor? Desculpe, eu acho que não é.

A questão da castração é útil e até obrigatória para o animal que é recolhido das ruas e terá um lar. Mas para os que vivem na rua não os ajuda em nada. Na verdade, castrar animais e devolvê-los às ruas satisfaz os humanos e não os animais. Eles param de se reproduzir, diminuem os acidentes e param de comer pássaros (caso dos gatos), entre outras mudanças. Enfim, eles mudam o procedimento e isso auxilia os humanos, mas nada muda para os animais que continuarão nas ruas. Ao contrário, piora a vida deles. Vale lembrar que os animais não se preocupam com licença-maternidade, pensões dos filhos, casa na praia, eles não tem preocupação material nenhuma. Portanto, para eles tanto faz terem uma ou dez ninhadas, eles cuidam dos filhotes até desmamarem e, a partir dai, cada um se vira como pode. Os humanos é que se incomodam com as ninhadas, fazem um dramalhão e acabam prejudicando os animais, pelos motivos já descritos e também porque estes procedimentos de castração e devolução incentivam os abandonos. Ao perceber que há quem recolha os animais, seja para adoção seja para CED, os abandonos se multiplicam.

Solução: Penso que a solução mais viável é uma campanha de conscientização da população para não abandonar animais, castrar os que já estão acolhidos e mostrar os animais como seres vivos e não joguetes sem serventia alguma. Este tema é amplo, complexo e não dá para elucidar tudo em um pequeno artigo. Mas penso ter citado os principais pontos. Fiquem à vontade para comentar aqui no blog e/ou compartilhar com seus contatos. 

Saiba mais:

Kanka, a melhor babá que eu tive. A história do Labrador Retriever que vai encantar você, clique aqui

Vampirinho Vegano ensina veganismo fundamentado em Medicina e Nutrição, clique aqui

Locais de castração grátis em São Paulo, clique aqui

Locais de castração grátis no Rio de Janeiro (inscrições a partir de 2 de janeiro/2019), clique aqui

Locais de castração em Belo Horizonte, clique aqui

Em outras regiões, procure as prefeituras ou faculdades de medicina veterinária;

Site da Prefeitura SP, clique aqui

Lei 3426 (castração), clique aqui