Quando o natal NÃO chegar!

A insanidade do egoísmo”

By Lou de Olivier

Assistir a uma palestra em idioma estrangeiro, por mais interessante que seja o tema, em algum momento traz o sono e é nesta sonolência que me transporto a uns vinte, talvez vinte e cinco anos.. Era década de 90, o ano… 91 ou talvez 93… Não importa o ano exato, a cena que vivi ainda está em minha mente como se fosse ontem. E levando em conta o tempo-espaço, pode mesmo ter sido ontem.

Desde bebê sempre amei as madrugadas. Minha mãe sempre dizia que eu nunca dormia antes da meia-noite e sempre acordava por volta das quatro da manhã disposta a descobrir tudo ao meu redor… Foi assim que me acostumei a dormir pouco e buscar sempre respostas a tudo…

Fazer compras, estudar, escrever, tudo na madrugada parece mais produtivo. Foi assim que, numa madrugada que parecia ser comum, eu sai para fazer compras no supermercado. Eu sempre fazia isso, saia dirigindo meu carro, curtindo as luzes, a avenida vazia, sem precisar aguardar vaga no estacionamento, podia fazer as compras com calma e dirigia-me ao único caixa em funcionamento (eu já até sabia o nome do caixa de plantão: Zé Carlos, sempre sorridente e prestativo), pagava a conta tranquilamente, nem precisava carimbar o ticket do estacionamento e voltava tranquilamente para casa.

Natal. Foto Dreamstime

Mas naquela noite o supermercado estava mais deserto, notei que o caixa de plantão não estava em seu posto, mas pensei que ele poderia ter ido ao banheiro ou tomar um café e me dirigi às prateleiras para iniciar as compras. Podia ouvir meus passos, era esse o único som no local. E, no vazio, ecoavam pelo ambiente. Um “peso” estranho no ar e uma sensação de abandono foi me invadindo. E o aroma de panetone no ar era tanto que chegava a enjoar…

Passando pelo setor de papelaria, avistei inúmeros cartões de natal mas ainda era novembro e aquele peso no ar parecia anunciar que o natal não chegaria... E todos aqueles cartões e suas felizes mensagens seriam inúteis.

De repente me veio à mente, o que ocorreria no dia final. Quando não houvesse mais ninguém no planeta. Quando os humanos conseguissem destruir o pouco que ainda existia e, enfim, provocassem o inverso do Big Bang, o Big Crunch não pela contração do Universo mas pela ganância e egoísmo dos humanos. A explosão que, a princípio, gerou vida trazendo LUZ doadora mas, usada ao contrário, regrediria a vida fazendo o planeta cair em profunda escuridão.

Supermercado vazio. Foto Dreamstime

A diversão era pensar que mesmo a meia dúzia de psicopatas que se imaginavam dominadores do planeta também se espatifaria em meio aos bilhões de “comandados” por eles e seria muito bom se alguns poucos seres restassem para usufruir de verdade de todo o planeta. Empolguei-me pensando como seria maravilhoso poder ir ao supermercado a qualquer hora, pegar tudo que queria sem precisar pagar nada, sem congestionamentos no trânsito nem acotovelamentos nos caixas e comer todo o sorvete e beber toda a água de coco do mundo e… 

Mas logo este pensamento deu lugar a outro mais realista. Primeiro, provavelmente ninguém sobreviveria. Segundo, mesmo sobrevivendo, o proveito seria por pouco tempo. Sem energia, os produtos perecíveis logo estragariam, os não perecíveis acabariam e se não houvesse reposição de combustível logo não teria como abastecer o carro para buscar mais mantimentos. Mesmo que solucionasse isso andando de bicicleta, por exemplo, não teria mais mantimentos à disposição… Sem os agricultores não haveria novos plantios. Bem, o sobrevivente poderia tentar plantar sua própria alimentação mas até que conseguisse chegar à colheita, não teria o que comer.

Água encanada também cessaria, gás encanado nem pensar… transporte público, táxis, hospitais, escolas… tudo pararia…

Foi ai que me conscientizei do quanto precisamos uns dos outros, como todos dependem de todos. Sem os lixeiros, o lixo acumularia e, em poucos dias, a sujeira e mau cheiro seriam insuportáveis. Sem os produtores de alimentos não haveria reposição, enfim, sem que cada um cumpra sua função, o mundo não funciona direito. Sem os considerados menores, os considerados maiores não se sustentam…

Naquela época eu ainda não entendia como algumas pessoas podem se imaginar superiores impondo regras, espalhando doenças e pânico só para, quando melhor lhes convém, oferecer alguma cura ou controle… Hoje eu até entendo os motivos que levam a este desatino mas não aprovo, nunca conseguirei concordar com a insanidade do egoísmo.. Tai, um ótimo título pra este escrito: “Insanidade do egoísmo”…

Mas voltando ao episódio dos anos 90, a cada alimento que eu colocava no carrinho, pensava quem deveria tê-lo produzido, como era sua vida, sua família, seus pensamentos. Porque produzia este e não outro tipo de alimento ou até mesmo porque não estava em outro ramo… O que aconteceria se este produtor falisse ou faltasse de alguma forma. O quanto minha compra o incentivaria a continuar produzindo…

Depois pensei na inutilidade do dinheiro. A necessidade que a maioria das pessoas tem de conseguir dinheiro a qualquer custo trabalhando demais, colocando em risco a própria saúde ou até roubando já que algumas pessoas não medem o que fazem quando precisam ou imaginam que precisam de dinheiro. Pior os desonestos que roubam de forma disfarçada, são os piores ladrões já que de um assaltante não podemos esperar boa atitude mas de uma pessoa que parece honesta, o roubar é mais desastroso para o lesado.

E tudo isso para quê? Uma doença degenerativa, um acidente grave, alguns meses numa UTI de hospital podem desfalcar uma fortuna. Ainda que a pessoa tenha um “plano de doença” sim porque se faz “plano de doença”, se fosse “plano de saúde” garantiria a saúde e não apenas o direito de ser socorrido sem nenhuma garantia de cura… pois bem mesmo tendo o referido plano, uma doença prolongada ou um acidente podem desgastar um indivíduo de forma que dinheiro algum possa cobrir. E, ao morrer, tudo fica por aqui, nada se leva a outras dimensões. E o que aconteceria com a humanidade no último dia, deixando todos os bens materiais para trás? Será que, enfim, todos expandiriam a consciência? Ou continuariam no mesmo estágio ainda que toda a matéria fosse despedaçada e só restasse se espiritualizar?

Refletindo sobre tudo isso, fui ate o caixa. O Zé Carlos ainda não estava lá. Aguardei uns cinco minutos, procurei pelos arredores… nada. Resolvi deixar as compras na esteira, afinal, me sentiria mal se as levasse sem pagar. Já estava me dirigindo à escada quando o Zé Carlos chegou correndo e ofegante, gritando pra eu esperar.

– Eu já ia embora, pensei que o supermercado estava abandonado.

– Isso foi um jogo, o dono do supermercado queria testar sua honestidade e, como deixou os produtos na esteira, você acaba de ganhar todos eles “de grátis”!

– Sério!!! Que legal!

– Não, é brincadeira… O proprietário nem sabe de nada e eu tava namorando por isso deixei tudo largado, mas não conta pra ninguém.

– Ah, seu idiota!!! Vou anunciar na Imprensa… (risos) e pra pagar a mentira, vai ter que me dar o sorvete grátis, que tal?

– Puxa!! Serve se eu prometer nunca mais mentir?

– Isso não muda nada na minha vida, mas tá bom, serve!

Rindo muito, fomos ao caixa, passei e paguei minhas compras e voltei tranquila, mas pensativa, para minha casa. Durante algum tempo pensei em escrever esta história mas fui deixando o tempo passar, o espaço se expandir até que quase nem pensava mais nisso. Até que hoje, neste congresso, a cena voltou à minha mente…

Uns vinte e cinco anos se passaram e parece que nada mudou… Eu? Bem, eu mudei muito, acho que me aprimorei, fiquei mais altruísta do que antes, mais consciente, desde aquele ano passei a publicar sobre Dislexia e outros Distúrbios de forma inovadora. Naquela época eu já não comia quase carnes mas ainda comia ovos, peixe e derivados de leite, então tornei-me vegana, enfim, acho que me aprimorei embora ainda precise de muito aprimoramento. mas parece que tudo ao meu redor continua igual, ainda hoje continuo defendendo a tese da Dislexia Adquirida. Apesar de já estar até aceita pela Ciência da Saúde, codificada em Inglês, Espanhol e Português, são muitos os profissionais que ainda negam até a existência de Dislexia, outros negam a existência do TDAH. A questão da alimentação até os dias de hoje ainda se discute o que faz bem e o que faz mal baseados em teorias ultrapassadas quando é tão simples entender isso. Alimentar-se do que a natureza produz faz bem, alimentar-se do que a indústria produz faz mal, matar um bicho para comê-lo ou usar a pele dele além de fazer mal para a saúde humana, desequilibra a natureza e causa sofrimento ao animal…

Foto Dreamstime

Bem, não vou relatar tudo que continua em desequilíbrio porque o espaço de escrita é curto. Neste momento eu mantenho duas campanhas de arrecadação de verba (fundo coletivo) uma que ensina veganismo de forma lúdica e outro que explica a Dislexia e outros distúrbios sem rodeios. Já fiz tudo o que podia para divulgar, até já frisei que as campanhas são de interesse da população porque eu já tenho as informações, se todos terão acesso ao que eu informo é de interesse de todos, mas… até agora as contribuições são irrisórias.

Diante de tantas dificuldades que enfrento e muitas vezes diante da indiferença da maioria, todos os dias eu penso em parar, deixar que cada um se vire para aprender o que tiver que aprender mas quando lembro de todas as maravilhas que o ETERNO tem feito em minha vida, todos os salvamentos, toda a lucidez… percebo que só posso continuar lutando e que minha luta é por ELE, em agradecimento a ELE… Então eu insisto e diante de um congresso como este de hoje eu paro tudo para escrever esta crônica e te convidar novamente:

(Atenção: Este artigo foi publicado em outubro de 2015, quando eu fazia campanha de crowdfunding para divulgar veganismo por intermédio do projeto Vampirinho Vegano, nesta eu arrecadei só noventa reais e para divulgar dislexia de forma correta por intermédio do ciclo de palestras e cartilha, nesta arrecadei só cento e cinquenta e oito reais. Com estas arrecadações irrisórias acabei fazendo tudo sozinha e com recursos próprios como tenho feito a vida toda. Por isso, desconsidere os pedidos de doação que se seguem, só os mantive para não alterar o artigo)

Vem comigo nesta jornada, faça uma pequena contribuição e colabore com a disseminação de tanto conhecimento útil a todos.

Se você tem filhos, netos, alunos e se tem consciência de que a qualquer momento pode ocorrer um acidente e você precisar dos conhecimentos que eu detenho, clique aqui e colabore.

Se você é vegetariano ou vegano e quer que outras pessoas também entendam os benefícios do veganismo para todos, clique aqui e colabore.

Se você não se importa com distúrbios ou alimentação mas gostou desta crônica, conheça minha trilogia “Mística, Perversa, Sensual” que faz parte dos e-books solidários, você o adquire por apenas R$ 7,00 e a renda é toda doada aos animais abandonados e pessoas com deficiência intelectual. Clique aqui

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OBS: Este artigo é parte integrante da série “Luz do Eterno” e originou o romance de ficção científica “Armagedom Har Meggido (Ana e o Apocalipse). Saiba mais, clicando aqui

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