Natal, tempo de reconciliações

Artigo de Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) publicado pela primeira vez em 10/12/2005 pelo Jornal’Ecos da Literatura Lusófona. Foi republicado em diversas datas e por diversos jornais impressos e eletrônicos. O tema continua atual, por isso, é republicado hoje. Confira!

Família no natal. Fonte: Dreamstime

É comum em famílias, sejam grandes ou pequenas, algumas desavenças. Algumas vezes, essas desavenças são logo solucionadas, com pedidos de desculpas e até algum presente ou lembrancinha, o que faz, ao menos, teoricamente, que os envolvidos esqueçam o incidente. Se essa reconciliação for mesmo verdadeira, ótimo, todos seguem como se nada tivesse ocorrido. Mas, o que acontece na maioria das vezes é que não se pede as devidas desculpas, ou então, tenta-se desculpar com frases subjetivas ou presentes “fora de hora” que acabam não surtindo o efeito desejado, já que não dizem a que vieram. Também pode acontecer de duas ou mais pessoas se desentenderem, chegarem a pedir desculpas, mas guardarem algum ressentimento ou então não verem seus próprios erros e imaginarem que o outro (ou outros) é que precisa se desculpar. E mais uma série de atitudes que acabam por prejudicar muito as relações. É ai que entram datas comemorativas que, em alguns momentos, são usadas para “justificar” uma reconciliação. Aniversário, dia das mães, dos pais, e tantas outras datas que parecem a desculpa perfeita para um presente e um sorriso de paz. Dentre as datas comemorativas, sem dúvida, o Natal é a que mais nos impulsiona a isso.

O próprio clima parece propício; músicas natalinas, muitas luzes coloridas e piscantes, formando desenhos e paisagens por toda a cidade e, seja qual for o clima do país, parece que sempre combina com essa festividade. Ao aproximar-se a data, todas as pessoas parecem atingidas pelo espírito natalino, ficam mais alegres, sensíveis, compreensivas, desculpam-se com mais facilidade e, no auge, ou seja, no dia de Natal, todos se abraçam, comovidos e unidos numa felicidade que parece eterna. Mas, logo vem janeiro com seus IPTUs, IPVAs e tantos “IP alguma coisa” que acabam tornando as pessoas novamente carrancudas, agressivas e lá se vai todo aquele clima natalino que parecia ter conquistado a todos em definitivo. Para solucionar isso de uma vez por todas, é preciso perceber o Natal, assim como qualquer data comemorativa, como uma grande oportunidade de reconciliação, desde que seja verdadeira e duradoura. Caso contrário, será apenas mais um dia feliz em meio a tantos, infelizes e improdutivos. E, para pessoas que têm conflitos mal resolvidos ou grandes atritos, o melhor a fazer será procurar uma boa terapia, resolver a fundo, as questões e deixar que o natal cumpra seu verdadeiro papel, que é, para quem segue os preceitos cristãos, o de comemorar o nascimento de Cristo e, para todos, o de confraternizar a todos como irmãos – sejam eles pacíficos ou “brigões”. Insistir em “fazer as pazes” no Natal só tornará o atrito maior e a data menos significativa do que realmente é. Confira também: Que neste Natal seja comemorado o amor.  E “Quando o natal não chegar: A insanidade de egoísmo”, clique aqui

Leia o artigo original, publicado pelo Jornal’Ecos em 2005, disponível em PDF,  clique aqui