Eu me esforço para não julgar ninguém, mas há alguns casos que fogem ao controle. Como este do cachorro agredido e morto nas dependências do Carrefour de Osasco.

Há um vídeo que mostra toda a sequência desde o início da agressão até o resgate da cadelinha quase morta. Há relatos de várias gravações, uma pelas câmeras de segurança e algumas com cenas mais desfocadas, provavelmente por celulares. Inclusive as gravações mostram que o cão latiu e avançou nos socorristas e houve um certo tumulto no seu resgate.

Segundo reportagem da Rede TV, a cachorra estava no supermercado há UM MÊS, sendo alimentada pelos funcionários. Alguns jornais relatam que, de acordo com os ativistas, o cachorro havia sido abandonado no estacionamento do Carrefour Osasco há aproximadamente uma semana antes de ser morto. Alguns funcionários da rede e de lojas que ficam no centro de compras vinham alimentando o animal. Até que este cão foi agredido, pode também ter sido envenenado…

Apesar das informações um pouco desencontradas (era um cachorro ou uma cachorra? Estava ali há uma semana ou há um mês? Etc.), as certezas são: Um animal foi morto nas dependências do Carrefour. Antes de ser morto, foi abandonado por um “tutor”. Além das câmeras de segurança, alguém filmou tudo e não intercedeu. E o pior, se a informação de que o animai estava lá há tempos partiu mesmo de “ativistas”, por que não recolheram este animal?

Sem dúvida, o segurança que agrediu o cãozinho deve ser punido, mas todos os outros que viram a agressão, os que filmaram com celular e nada fizeram para salvar o animal, o próprio resgate pareceu meio agressivo. E os ativistas que esperaram uma semana (ou um mês) para se manifestarem, só depois da morte do animal. E o tutor que, antes disso, abandonou o animal… Todos eles precisam ser punidos. E ainda tem os “bonzinhos de plantão” que mais parecem “urubus na carniça”, caçando desgraças para mostrar serviço, sem prevenir nada, é só depois que acontece que aparecem. Agora os “artistas” e “personalidades” se mobilizam??? “Lembrem-se de um fato gravíssimo que está ocorrendo também em silêncio e ninguém se mobiliza. Vocês só se mobilizam quando é para desviar o foco? Não se envergonham de usar a morte de um pobre cão para jogar sujo e desviar os desavisados?”

E chamo a atenção para os animais que morrem lentamente porque vivem em locais onde são acolhidos mas, por algum motivo (pelo tutor recolher mais do que pode cuidar ou por perder o emprego e deixar de acolher os animais ou pela morte do tutor. Enfim, são muitos os motivos que levam alguém a não conseguir mais tratar dos animais que recolhe). Nestes casos, os animais acabam morrendo à míngua pois, antes eram bem cuidados e, de repente perdem estes cuidados e não sabem se virar sozinhos.

Todos esses pontos devem ser analisados. E, no caso específico do cão assassinado no supermercado, deve-se apurar quem o abandonou lá, quem teve oportunidade de adotá-lo ou encaminhá-lo e não o fez, quem ficou filmando sem agir e quem ainda se aproveita disso para se promover. E claro, o segurança que fez a ação que desencadeou na morte do animal. Punindo a todos estes, o reparo estará completo. Mas punindo só o segurança, os outros continuarão agindo mal e colaborando para que mais ações como estas aconteçam. Aqui uma observação, há relatos de que uma funcionária do Carrefour pretendia adotar o cãozinho e já estava comprando casinha e arrumando um local para levá-la para sua casa. Se isso é verdade, faltou diálogo, pois sabendo que ela seria adotada, o gerente não pediria que a retirassem de lá. Por outro lado, a pessoa que a adotaria poderia levá-la para sua casa e, depois se preocupar em comprar casinha e outros itens, pois carinho e proteção eram mais urgentes do que uma casinha para esta cachorrinha. E o gerente, como pediu que retirassem o animal de lá? Pediu que o retirassem ou exigiu que se livrassem dele?

Tudo isso é muito complexo para se resumir a um simples boicote ao supermercado ou punição para o segurança. Punição só funcionará se todos os envolvidos forem punidos, a começar quem abandonou o animal. Porque o crime não é só o espancamento, o resgate desastrado e a morte do animal. Há o crime do silêncio. O crime que começou a matar este animal no momento do abandono, seguiu matando-o a cada vez que era alimentado no local, despertando uma esperança de adoção que não se concretizou e culminou com a morte em si e várias filmagens. Este animal foi morto por todos estes que se omitiram, em especial, Ativistas que afirmaram saber que o animal estava lá há tempos e não o resgataram. Eles também são culpados. Se sabiam deste abandono, deveriam encaminhar o cão para adoção. Afinal são ativistas, não são?

Pessoas leigas não tem consciência de que alimentar um animal o cativa e o prende ao local, impedindo-o de encontrar algum adotante. Se não se tem intenção de adotar, criar costume de alimentar o animal, ainda mais em um local de comércio, não é solução. É melhor lhe dar alimento uma só vez e, na sequência, buscar um abrigo ou alguém que possa adotá-lo.

Este é mais um crime do silêncio. Entre tantos que ocorrem diariamente no mundo todo. Que o episódio traga uma maior reflexão e mude, de fato, o entendimento dos humanos em relação aos animais. Aliás, o Carrefour já divulgou nota que cita estar ouvindo ONGs da causa animal e definindo uma nova política para proteção e defesa dos animais. E, se analisarmos pelo lado espiritual, nem vou entrar em detalhes, mas ninguém poderia julgar o ocorrido. Muita gente aborda a espiritualidade dos animais porém, em momentos como este, parece que nada sabem a respeito. Mas eu penso que, havendo mudanças significativas na política do Carrefour em relação aos animais, a cachorrinha cumpriu a missão dela em beneficio de outros animais. As reações e punições que acontecerem solucionarão o plano material enquanto, no plano espiritual, ela estará em paz por ter sido útil aos seus semelhantes.

Atenção! Ao presenciar maus tratos a animais, procure imediatamente a polícia.  De preferência saiba relatar  nome e/ou endereço completo do tutor ou agressor (ou local onde o animal está sendo agredido). Ideal é procurar Delegacia e prestar queixa de maus tratos. No Estado de São Paulo há a DEPA (Delegacia Eletrônica de Proteção Animal), você pode fazer a denúncia por fone 0800 600 6428 ou (11) 3291-6500 ou pela internet. http://www.ssp.sp.gov.br/depa É preciso identificar-se para fazer a denúncia, mas há opção de pedir privacidade dos seus dados no momento do cadastro da denúncia. Mas só vale para o Estado de São Paulo. Em outros Estados, informe-se procurando a delegacia mais próxima. Mas não deixe de agir. Os animais são indefesos e dependem da nossa ação para serem protegidos.