Alguns lamentam a saída dos Médicos cubanos do Brasil outros comemoram e ainda há os que, sendo Médicos brasileiros, reivindicam uma chance de contratação. Entre estas três reações, qual é a correta? Seria mesmo uma grande perda para o Brasil? Ou a perda seria para os cubanos? Ou ninguém perderia nada com esta saída? Neste artigo, eu mostro os dois lados e os vários ângulos da situação.

Começando com uma questão importante. Bolsonaro propôs algo justo e correto. Ele propôs, para dar continuidade ao programa, que os Médicos fizessem revalidação de diploma, recebessem 100% dos salários e pudessem trazer suas famílias para morar no Brasil. Isso seria bem justo para os Médicos e mais seguro para a população. Mas Cuba recusou porque pelo “combinado” anteriormente, os cubanos não podem trazer suas famílias e recebem cerca de 30% do salário, os 70% restantes são recolhidos pelo governo cubano. Bastante injusto, não é? Mas a questão principal, é: Estes Médicos cubanos são bem preparados para atender os brasileiros? Não existem Médicos brasileiros que atendam esta demanda? Os cubanos vieram para atender periferias e comunidades distantes ou também atuavam nas cidades e em bairros mais centrais?

Quero relatar uma experiência pessoal, antes de concluir as respostas das questões que fiz. Em 2016, tive mais um acidente que me fez fraturar o 3º metatarso e romper ligamento de um pé e luxar o outro pé. Meu irmão me levou a um pronto-socorro do SUS (UPA), que era o mais próximo. Depois de muita espera, uma médica cubana me atendeu. O sotaque dela era forte e, mesmo falando em espanhol com ela, não a entendíamos, parecia falar num dialeto, não era um espanhol claro. Mas o principal é que ela mandou que fizessem raio-X só do meu tornozelo que estava muito inchado, mesmo eu alegando que era o pé que doía insuportavelmente e eu nem conseguia pisar o chão. Disse ser apenas luxação e nem receitou nada, aconselhou colocar gelo (que eu já estava colocando desde que caí). Decidimos ir ao hospital do meu convênio e um Médico brasileiro, me atendeu e me mandou para o raio-X do pé. Constatou uma pequena ruptura no 3º metatarso. E, pelo inchaço do tornozelo, precisaria avaliar rompimento de ligamento. Quando ele me disse que eu teria que colocar tala e, na sequência, gesso, eu disse:

– Eu não quero! Tenho uma importante palestra para fazer em vinte dias e tenho que estar andando até lá.

– Hello, não é uma opção! – retrucou meu irmão – você é obrigada a ser engessada, não percebeu?

Meu pé já com a 3ª tala

Depois de uma breve discussão, acabei aceitando colocar tala. Deveria voltar em sete dias, mas só havia horário para retorno em cinco dias. Nestes cinco dias, eu comprei um par de muletas e cai diversas vezes tentando me equilibrar nelas. Cada vez que caía, tinha a sensação de machucar mais ainda o pé e o tornozelo. Ao retornar ao médico (era outro médico), este nem me olhou, menos ainda me examinou, quando eu disse que tinha caído várias vezes e poderia ter complicado o quadro. Ele me enviou diretamente para engessamento. A enfermeira foi logo engessando, mesmo eu dizendo que meu pé e tornozelo estavam muito inchados e seria melhor aguardar uns dias. Nem bem ela terminou de engessar, meu joelho começou a inchar e, nesta noite, fui parar em outro pronto-socorro público para retirar o gesso. Acabei saindo de lá com outra tala com gesso. Uma semana depois, notei que meus dedos estavam pretos, meu pé estava necrosando.

Meu pé já começando a necrosar

Pedi ao meu irmão para me ajudar a retirar a tala com gesso, comprei uma bota especial e passei por 22 sessões de fisioterapia (por minha conta e meu autodiagnóstico) para poder voltar a mexer o pé. Em paralelo, dependi de muletas e cadeira de rodas por três meses, inclusive palestrei duas vezes numa cadeira de rodas e até ajudei a estabelecer mudanças na acessibilidade para deficientes físicos. Até hoje, meu pé é torto e deformado, não consigo mais usar salto, não tenho mais a leveza e graciosidade que tinha para dançar e até meu andar ficou um pouco manco. Em vista disso, posso afirmar que minha experiência com Médicos nunca foi das melhores, mas desta vez, ultrapassou todos os limites. Um simples metatarso trincado e um rompimento de ligamento que, num atendimento adequado, levaria no máximo, um mês para a recuperação, levou três meses e até hoje não estou totalmente recuperada.

Baseada nesta minha experiência e em tantos relatos que tenho verificado, posso afirmar que os Médicos cubanos não tem muito conhecimento. Inclusive, os dados divulgados pela AMB (Associação Médica Brasileira) são que o programa Mais Médicos (cubanos): “...Dispensou a apresentação de diploma com tradução juramentada e a realização do Revalida. Um grande erro, pois nos últimos seis anos apenas 28,8% dos médicos cubanos que fizeram os exames foram aprovados, mostrando a distância entre o ensino médico cubano e o brasileiro. Assim, além de nem termos confiança de que todos são médicos, ainda estão distantes das técnicas e tecnologias oferecidas pelo SUS, o que somado com a falta de proficiência na língua portuguesa (também dispensada) dificulta ainda mais os diagnósticos e tratamento…” Quanto a isso, há inclusive, uma grave denúncia feita por Caiado, alegando que parte dos cubanos instalados no “Mais Médicos” são, na realidade, espiões e que receberiam bem mais do que os Médicos verdadeiros que integram o programa. Estes espiões, segundo Caiado, receberam diplomas de Médicos para apenas espionar… Denúncia grave e que se justifica pelo baixíssimo resultado nos exames e até pelo procedimento de “Médicos” como esta que me atendeu no UPA . Isto precisa ser averiguado e, devidamente, punido pois é um crime!

2 anos depois, meu pé está assim (2018)

Porém, é preciso perceber que alguns Médicos brasileiros também não tem condições de atuação, especialmente os que atendem em ambulatórios, seja em hospitais públicos ou de convênios. O destaque no bom atendimento vai para os Médicos que atendem em pronto-socorros de convênios. Estes, talvez por estarem em unidades de emergência ou outro motivo que desconheço, em geral, são mais atenciosos e parecem mais aptos a detectar com rapidez as necessidades do paciente. Penso que estes Médicos devem ser valorizados.

No meu entendimento, o correto é que os Médicos cubanos, de fato, voltem ao país deles, ou seja, Cuba. E os Médicos brasileiros tenham prioridade nas contratações para preencher estas vagas deixadas pelos cubanos. E, já que se está reformulando tudo, é bom estudar uma boa reciclagem para os Médicos que atendem nos ambulatórios de convênios pois, em sua maioria, examinam apenas exames e fichas e não o paciente para o qual a maioria nem olha. De nada adianta ser bem atendido no pronto-socorro e, na sequência, ser encaminhado a um ambulatório em que se é tratado como nada. Isso precisa mudar!

Quanto ao Presidente Bolsonaro e as medidas que tomará em relação aos Médicos, anuncia-se que ele pretende lançar um edital para a contratação de médicos brasileiros que queiram ocupar as vagas de cubanos. Nessa convocação, a prioridade é para brasileiros formados no Brasil, seguida de brasileiros formados no exterior, médicos intercambistas e estrangeiros. Está certíssimo! Vamos aguardar os acontecimentos e, certamente, a melhora da Saúde com estas medidas.

Uma das palestras que fiz de cadeira de rodas

Enquanto alguns sites e veículos de “comunicação” do contra anunciam que Bolsonaro deu um tiro no pé com esta situação, os Estados Unidos e veículos de comunicação SÉRIOS do Brasil o elogiam: a principal funcionária do Departamento de Estado dos EUA para a América Latina, Kimberly Breier, citou no twitter “Que bom ver o presidente eleito Bolsonaro insistir em que os médicos cubanos no Brasil recebam seu justo salário ao invés de deixar que Cuba leve a maior parte para os cofres do regime”.

Saiba como foi meu processo desde a queda até eu começar a andar novamente, clique aqui.

Leia artigo sobre bastidores do programa Mais Médicos em PDF, Mais Médicos – versão cubano-brasileira dos feldsher soviéticos ou leia no site do CFM, clique aqui

Assista a denúncia de Caiado sobre o “Mais Médicos”
(
Espiões cubanos, fraudes e bilhões para Cuba)

Assista meu vídeo sobre a proposta de “Melhores Médicos” e a necessidade de vetar a saída de pseudomédicos do país. Eles deveriam ser interrogados e vistoriados antes desta saída.  Assista!