Inicial > Celebridades, jornalismo, Lou de Olivier, pioneirismo, utilidade pública, verdades > A criança subversiva (a verdade sobre a Ditadura no Brasil)

A criança subversiva (a verdade sobre a Ditadura no Brasil)

Antes de imaginar que Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) seja mais uma esquerdista se fazendo de vítima da Ditadura, leia este pequeno artigo, reflita e tire suas próprias conclusões.

Anna Lou aos 3 anos dançando e cantando “Dança do Saci-Pererê” (Bossa-Nova)

A Anna sempre foi precoce, mal sabia andar, já se agarrava aos móveis e dançava ao ouvir qualquer música. Aos dois anos e meio, ela foi levada pela mãe ao auditório da TV Record, para assistir ao seu pai, um militar da reserva (acidentou-se em serviço e foi para a reserva), que contava piadas e fazia brincadeiras no palco com as crianças no intervalo do Programa Ginkana Kibon. Em certo momento, um famoso cantor (não recordamos o nome) entrou no palco e começou a cantar. A Anna não teve dúvidas, subiu na poltrona da plateia onde estava e começou a dançar. Logo, o cameraman (cinegrafista) a avistou e passou a focalizá-la. Não deu outra, a Anna roubou a cena, foi muito aplaudida e chamada ao palco pelo Durval de Souza, que era o apresentador do programa. Dançando no palco, chamou a atenção de dois professores, o de canto Irineu Gonzaga e a de dança Aparecida Guarnieri. Os dois se ofereceram para treinar Anna e, em apenas uma semana, ela já estava se apresentando profissionalmente, como bailarina. Três meses depois, Anna, com apenas dois anos e nove meses, entrou num estúdio profissional para gravar seu primeiro vinil que, naquela época demorava muito a ser produzido. Assim, só foi lançado um mês após Anna completar três anos de idade. Mesmo assim, Anna bateu o recorde mundial da música, que era detido por Rita Pavone que havia gravado com cinco anos na Itália.

 

Anna Lou recebendo seu primeiro troféu, com apenas 4 anos de idade, das mãos de Canarinho (TV Excelsior) Na foto estão também Irineu Gonzaga, Lourdes Rocha, Fadinha e alguns membros da Banda de Anna Lou.

Pouco tempo depois do lançamento do seu primeiro vinil, que já disparava nas paradas e abria para Anna as portas de outras emissoras como a TV Excelsior, Anna foi impedida de cantar a música “Sonho de criança”, sua letra foi considerada inadequada para exibição pública pois falava de liberdade numa época de repressão. Em vista disso, passou a cantar somente a valsinha “Mês de maio” em homenagem ao dia das mães. Na sequência, antecipou o lançamento de seu segundo disco com as músicas “Dança do Saci-Pererê”, (bossa-nova) e “Casca de banana” (marchinha de carnaval). Anna, em sua inocência, não entendia a proibição. E pior ficou porque passou a ser perseguida não por ela mesma mas por três motivos. Primeiro, a TV Excelsior, na qual Anna já era tratada como estrela, tinha um posicionamento desafiador diante do regime militar e todos na emissora eram constantemente perseguidos. Segundo, por conta do Professor Irineu Gonzaga ser um militante esquerdista. Terceiro, a TV foi implantada no Brasil e em outros países com um propósito específico que foge ao simples posicionamento do regime militar. Continue lendo e assista aos videos para entender melhor como isso ocorreu (e ocorre até hoje).

Patrícia Ayres e Dionísio Azevedo em cena de “A Pequena órfã”

A gota d’água veio quando Anna, aos seis anos e meio, recebeu convite para gravar toda a trilha sonora da novela “A pequena órfã”, toda criada por Irineu Gonzaga. Foram vários meses de ensaios até que Anna entrou no estúdio para seu terceiro vinil. Desta vez um LP. Tudo concluído no estúdio, o vinil ficou pronto e foi gravada uma linda abertura em que Anna aparecia dançando e cantando a música tema “A pequena órfã” intercalando com cenas da atriz mirim Patrícia Ayres, que protagonizava a trama, A abertura arrancou lágrimas no estúdio da gravadora Califórnia (ou Continental, precisamos apurar melhor este dado) ao ser exibida pela primeira vez apenas para os envolvidos na gravação. E começou uma contagem regressiva para a estreia da novela que seria o auge de audiência e prestígio da emissora. A menos de um mês da estreia, no entanto, veio a notícia que calou a todos. Toda a trilha sonora tinha sido vetada. Não havia tempo para gravar outra versão. Assim, em 26 de agosto de 1968, a novela “A pequena órfã” estreou sem nenhuma abertura e sem trilha sonora. Tudo foi tão abafado que nem quem trabalhava no estúdio ficou sabendo que a novela teria uma trilha sonora. Para todos ficou a ideia de que a novela não tinha trilha sonora. Mais tarde foi feita uma música por Noite Ilustrada que passou a ser cantada por ele mesmo em algumas cenas em que participou. (Posteriormente ele participou de filme com o mesmo título e enredo em 1973). Mas o encanto estava quebrado. Anna era só tristeza, o professor Irineu afastou-se da TV e nunca mais se ouviu falar dele. E a pequena Patrícia Ayres foi afastada no meio da trama por estar estafada e até traumatizada, como ela revelou anos mais tarde, pelo excesso de trabalho e tensão nas gravações. A “música” que marcou o público na época foi uma espécie de cantiga de ninar que dizia: “mandei fazer um barquinho de papel, de papelão, pra levar meu bem comigo, pra dentro do coração.” . Parece piada, mas tantos meses de ensaios e empenho na produção de uma magnífica trilha sonora, foram mostrados ao público como apenas uma música de ninar. Apesar da proibição do pai de Anna, ela continuou sendo levada pela mãe a diversos programas de TV (Excelsior, Bandeirantes, Record, Tupi) até que, em 1969, Anna foi afastada em definitivo da TV, encerrando a primeira fase de sua carreira artística. Em 1971 a Rede Globo reprisou esta novela criando uma abertura em que aparece Glória Pires e outras crianças e foi esta a versão considerada original. E diante de tantos “incêndios” nos estúdios de TV, seguimos sem poder questionar isso. Estes incêndios também precisariam ser melhor investigados,visto que muito deste material reapareceu na Globo. Foram “queimados” somente os materiais que incomodavam, de certa forma, o sistema que foi implantado. E que fique bem frisado que estamos citando o sistema implantado pela televisão, não pelo regime militar, o sistema que afastou Anna e outras crianças talentosas da época foi o da TELEVISÃO.  Continue lendo e veja os vídeos…

 

 

A manchete cita: “Blindados ocupam a Avenida Presidente Vargas em abril de 1968, durante a ditadura militar.” Porém, a foto mais parece uma pose montada. Note bem!

Por sermos comprometidos com a verdade, precisamos frisar que não somos contra os militares, como pessoas cultas que somos, entendemos que a ditadura militar foi articulada por diversos segmentos como clero, elite, empresas estrangeiras que se instalavam no país e os militares foram os que “puseram a cara a tapa”. Até porque, os militares não conseguiriam agir sozinhos, está bem entendido que o “regime” foi imposto por um número muito maior de envolvidos do que fizeram parecer. E a intervenção ocorreu para evitar um mal maior. Era o que havia para fazer naquele momento.

 

 

 

Shirley com 11 anos no filme “The Little Princess” (1939).

 

Também entendemos que havia um grande interesse dos Estados Unidos (hoje envolve o império Hollywoodiano) em abafar os feitos de Anna e de outras crianças precoces, pois eles tinham lá a estrela mirim Shirley Temple, que iniciou carreira aos seis anos, embora se encontre algumas citações de que tenha sido aos cinco anos, vivemos aquela época, lembramos bem. Ela fez suas primeiras apresentações aos seis anos. Enfim, os Estados Unidos tinha interesse em mostrar Shirley ao mundo como única. Não admitiam que houvesse outra(s) criança(s) tão ou mais talentosa(s) em outros países e se iniciando com menor idade do que Shirley. Inclusive a biografia pública de Rita Pavone cita que ela começou em 1962, já com 17 anos. Cremos que foram apagadas também suas gravações aos cinco anos de idade. (Continuamos buscando informações, se encontrarmos arquivos de Anna, Rita e outras crianças da época, difícil mas não impossível, publicaremos aqui em primeira mão.)  Fazemos questão de revelar estes fatos, o mundo precisa saber da verdade. Fazemos questão de frisar que não somos teleguiados pela mídia, não acreditamos em tudo que se publica ou se divulga e entendemos que a perseguição sofrida por Anna foi muito além de uma aluna de esquerdista sendo perseguida pela Ditadura. A perseguição foi mais artística do que política. Fique bem entendido!!!

 

Antes de mostrarmos algumas fotos e vídeos originais e algumas adulteradas, citamos a pergunta que não quer calar. Se, mesmo com tanta perseguição política e artística e tendo sofrido diversos acidentes, alguns bem graves, ainda assim,  Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) se destacou e ainda se destaca tanto em Artes, Saúde e Educação, além de outras áreas, imaginemos se não houvesse nenhum impedimento… Do que essa mulher seria capaz???

Conheça a primeira música censurada durante a Ditadura. Assista ao vídeo:

Este vídeo mostra a real abertura de “A pequena órfã”, que foi ao ar depois que a novela já tinha estreado, só para não ficar sem nenhuma abertura. Na verdade, estas cenas eram parte de um clip feito com Anna Lou Olivier dançando e cantando intercalando cenas com a protagonista patrícia. Ao ser censurada, a novela estreou sem abertura e, posteriormente, as cenas com Patrícia foram liberadas, assim foi ao ar a abertura pela metade.

Assista agora o vídeo adulterado que foi supostamente recuperado pela Globo e exibido pelo Vídeo Show.

Neste vídeo Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) resume e comenta este assunto.

Por curiosidade, publicamos aqui o elenco original de “A pequena órfã” 1968.

PATRÍCIA AIRES – Toquinho (Maria Clara)
MARIZE NEY – Toquinho (Maria Clara)
DIONÍSIO AZEVEDO – Velho Gui
RIVA NIMITZ – Elza
YARA AMARAL
ANTÔNIO GHIGONETTO
EDUARDO ABBAS – Padilha
JOÃO JOSÉ POMPEO – Nicolau
RACHEL MARTINS – Amazília
RUTHINÉIA DE MORAES
NÁDIA LIPPI
ROBERTO MAYA – Jerônimo
NESTOR DE MONTEMAR
J. FRANÇA – Gasolina
LURDINHA FÉLIX – Madalena
ARNALDO WEISS
ANA MARIA BLOTA
MÁRCIO A. TOLEDO
TONY VIEIRA
MÍRIAM MAIO – Vânia
e
LUTERO LUIZ – Juiz

Fonte: Teledrama: http://teledramaturgia.com.br/a-pequena-orfa/

 

Leia também:  A eleição do “ele sim” “ele não”, clique aqui

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: